Correio do Minho

Braga, sábado

Bom Ano Novo na Economia Portuguesa?

Investir em obrigações: o que devo saber?

Ideias

2013-12-21 às 06h00

António Ferraz

Talvez, Caso: - Portugal não venha a precisar de um segundo resgate ou de um qualquer programa cautelar. Porém, se isso for inevitável, que ao contrário do sucedido até aqui, as autoridades portuguesas tenham vontade política de negociar as ajudas externas destinadas ao financiamento da economia em condições mais vantajosas para o País (nomeadamente quanto aos juros e prazos). Ou seja, que não ponha em causa a urgente necessidade de haver um crescimento económico sustentado (a médio e longo prazo), gerador de riqueza e emprego e que possibilite ao mesmo tempo o pagamento dos encargos da dívida pública no futuro sem comprometer as gerações mais novas.

- Portugal que tem estado sujeito a um austero programa de ajustamento venha a beneficiar da criação de títulos obrigacionistas emitidos e garantidos pela União Monetária Europeia (UME), os chamados ‘eurobonds’, o que permitiria um acesso mais facilitado ao crédito externo e mais baixas taxas de juro (por eventuais intervenções do BCE no mercado secundário obrigacionista).
- Prevaleça a ideia de que a austeridade ‘excessiva’ não funciona nem para reduzir a dívida externa nem para a recuperação económica.

Assim, apesar das recentes previsões favoráveis na produção e no desemprego no País, elas mostram, contudo, limitações sérias. Por um lado, porque traduz uma retoma pífia devido fundamentalmente a um melhor desempenho das nossas exportações que, contudo, são uma componente da despesa que o País não controla. Pelo contrário, o mesmo não se pode falar da procura interna que tem vindo a evoluir de forma negativa quer quanto ao consumo das famílias quer quanto ao investimento produtivo.

Por outro lado, a redução da taxa de desemprego ficou-se a dever, e muito, a intensa vaga de emigração nos últimos anos (em particular, de jovens muitos deles com elevadas qualificações). Em consequência, o quadro económico português tem vindo a degradar-se com uma notória perda de capital humano e de recursos produtivos, com efeitos negativos significativos no produto potencial português.

- Se trave desvalorização do trabalho inicialmente com um aumento do salário mínimo nacional nos termos acordados em sede de concertação social. Se a isso juntarmos algum alívio nos IRS e IRC certamente que se criará condições para crescimento do poder de compra interno e estímulo à produção nacional.
- Se avance para uma união bancária na área do euro de forma a regular a actividade do sector e garantir a necessária solvabilidade, estabilidade e confiança no sistema bancário e financeiro.
- Haja determinação a nível europeu para se redesenhar a UME tornando-a mais voltada para a geração de emprego e para o crescimento económico sustentado no conjunto da área do euro.

- A Alemanha se consciencialize que tem vindo a ser a principal beneficiária do euro:
(1) porque a moeda única foi feita à imagem e semelhança do antigo marco alemão (moeda forte e estabilidade dos preços como meta prioritária de política económica);
(2) como fruto da aplicação após a reunificação alemã de políticas de desvalorização interna, nomeadamente da redução dos custos salariais, o que permitiu o aumento da competitividade externa alemã;
(3) pelo facto dos bancos alemães terem inundado de liquidez o sistema bancário na área do euro (beneficiando-se assim de elevados lucros). Esta facilidade de crédito na área do euro (Portugal incluído) levou ao aumento das exportações alemães por maior poder de compra dos outros países europeus ao mesmo tempo que se verificava um forte endividamento de famílias, estado e empresas. Os superávites comerciais da Alemanha foram assim necessariamente feitos à custa dos persistentes défices da balança de pagamentos dos outros países, mormente dos países periféricos (Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, etc.) A propósito, este deste aparente paradoxo citamos o economista americano Joseph Stiglitz: “não podem ter todos excedentes, por definição”.

- As recentes medidas do Banco Central Europeu (BCE), em particular, um novo programa de compra títulos de dívida pública soberana de países em dificuldades quanto a sua dívida externa conhecido pela sigla OMT (Outright Monetary Transactions) continue a funcionar no futuro de forma a que as expectativas dos mercados financeiros sejam no sentido de que os países do euro teriam no BCE um escudo protector e, por consequência, países em dificuldade, como Portugal, poderiam financiar a sua dívida directamente junto ao BCE e isso levaria a uma redução das taxas de juro exigidas pelos financiadores externos.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.