Correio do Minho

Braga, terça-feira

Boa sorte, melhor sorte

O conceito de Natal

Ideias

2016-03-06 às 06h00

José Manuel Cruz

Cronicando, consagro menos atenção ao futebol do que a demais assuntos, é certo, embora tenha por sério tudo o que à bola corrida diga respeito. O soterrado psicólogo que subsiste em mim, aliás, não perde o ensejo de respirar velhas memórias, de assegurar que não há maior desafio, para um praticante destas artes, que o universo do desporto, da formação à competição, mundo em que cabem todas as atitudes e emoções humanas, medos diversos, fantasias e absurdas convicções.

Em Maio passado, dias antes do confronto no Jamor, nestas páginas expressava eu votos de boa sorte ao colectivo bracarense. Fui tímido ou poupado, já que não me permiti ir além de um modesto parágrafo, espécie de enclave enxertado em texto económico-político. Farei melhor, desta feita.

Roçou o Braga o triunfo em 2015: terão chegado a perceber, por que razão a vitória se lhes escorreu entre os dedos? Bem sei que não há dois jogos iguais, que tudo o que aprendamos do êxito ou do fracasso precedente não assegura um desfecho a nosso contento no confronto seguinte. Sei, ainda, que a metódica racionalidade de que uma equipa se impregne não afasta um imponderável, um golpe do destino.

Mas esteve quase, o ano passado: mais do que quase. Não me permitirei o erro de supor que sei o que aconteceu, e de em cima dessa certeza dar palpites para o próximo embate. Restringir-me-ei ao óbvio. Ninguém me quererá mal, por conseguinte, se afirmar que não foi por falta de futebol ou de condição física que o Braga deixou escapar o troféu para o grémio de Alvalade, que tampouco terá sido por pobreza de ataque e de poder de concretização, por tibiezas de ambição ou de liderança, por défice de entusiasmo ou suporte.

Desculparão, a parcimonioso psicólogo, que regue e adube a sua plantinha, mas, jogando com as palavras, não poderíamos nós dizer que perdeu o Braga a última Taça pela cabeça, quando parecia ter estado perto de a conquistar com os pés? Manda a verdade que se diga que não é a Psicologia trunfo que tudo assegure, ou bode expiatório que tudo explique. A dimensão psicológica integra o fenómeno desportivo, tal como do mesmo complexo facto fazem parte a condição física e a aptidão específica de todo o jogador. Aplicada ao desporto, à competição, não é a Psicologia um luxo, um espantalho ou uma panaceia: está lá! Quer queiram ou não, quer a incluam de forma correcta ou caricatural. É acessória, seguramente, mas incontornável.

Aflige-me a ideia de que possa incorrer em ofensa a confrade meu, que integrasse a equipa bracarense então, ou hoje, e, a ser assim, as minhas mais humildes desculpas. Melindres de parte, consola-me a ideia, por outro lado, que dois treinadores, bons igualmente, terminarão um ganhador e outro sobrepujado - é inevitável, pois não se constrói a vitória exclusivamente sobre o erro e o demérito do adversário.

É visível a evolução consolidada do Braga, e longe vão os anos e em que se chegava às últimas jornadas de credo na boca. Cimentou o Braga o estatuto de quarto. A mais aspiraríamos, mas sabemos que não é fácil suplantar por sistema a dupla lisboeta e os azuis portuenses. Por exclusão de partes, é a Taça de Portugal a glória possível e almejável pelo ambicioso conjunto bracarense, pelos adeptos, pela cidade. E não há emoção ou bandeira guardada desde 66 que não desperte flamejante a cada nova possibilidade, não há ídolo ou herói desses dias que não renasça jovem e viçoso a cada novo ensejo.

Assim será dentro de três meses. Porém, mais do que boa sorte, no fundo é uma preparação inteligente que ao Braga se deseja. Bon courage, como por cá se diz.

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