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Bibliotecas Escolares e o gosto da leitura

A cor é Rosa!

Bibliotecas Escolares e o gosto da leitura

Voz às Bibliotecas

2021-09-30 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

Esta crónica aborda o tema das Bibliotecas Escolares, celebradas no mês de outubro internacionalmente pela ISLA (International Association of School Librarianship) e a nível nacional pelo Ministério da Educação / Rede de Bibliotecas Escolares (RBE). Estas bibliotecas têm tido um papel fundamental na criação de hábitos de leitura nas crianças e jovens desde os primeiros anos de escola até ao ensino secundário.
Da nossa infância e juventude, na década de 80, guardamos a memória de, nos 5° e 6° anos, existir a prática de empréstimo de livros no seio da turma. Estas trocas e empréstimos aconteciam habitualmente nas aulas de Português, onde havia um aluno responsável pela troca de livros entre os colegas que registava manualmente estas operações. Desta forma, criava-se o impulso à leitura, partilhando as leituras em formato de Clube de Leitura. Será nestas idades que se desenvolve o gosto pela leitura, pelo livro e consequentemente o bom hábito de frequentar bibliotecas. Já nessa altura se começa a perceber que os gostos dos futuros leitores são variados. Alguns são consumidores vorazes de banda desenhada, associando sempre a imagem às palavras, outros leem narrativas de ficção, literatura do fantástico e aventuras. Uns procuram livros com uma componente mais temática (ciências, futebol, artes), outros procuram livros onde a complexidade das palavras e do discurso os obriga a imaginar, a partir de ideias abstratas. Ao fim e ao cabo talvez estas escolhas reflitam já a personalidade de cada um e permitam antever outras escolhas que irão ser feitas no futuro, como a profissão, hobbies e modos de vida. Nesse sentido, as bibliotecas escolares proporcionam as primeiras manifestações da personalidade dos indivíduos e permitem um conhecimento antecipado do eu, do interior mais pessoal de cada um. E, um livro, é sempre um professor, um amigo, um confidente, uma janela aberta para o mundo. Nos livros viajamos sem sair fisicamente do mesmo lugar. Nos livros vamos mais além, em todas as dimensões do ser humano.
A celebração do Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE), contempla todas as bibliotecas escolares em todo o mundo, sendo uma oportunidade para darem a conhecer o trabalho que desenvolvem e mostrarem que não são apenas um serviço, mas um espaço dinâmico vital nas escolas. No mês de outubro, a RBE lança um desafio às bibliotecas que consiste na recriação artística de contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo, a qual pode assumir diferentes formas, como a dramatização, o espetáculo musical, exibição de filmes, desenho ou pintura, trabalho tridimensional ou performance de leitura em voz alta. O importante não é a forma de expressão, mas apenas a própria expressão em si. Tudo é válido e, na recriação, o importante não são os meios, mas sim os fins. Esta perspetiva globalista, ao abordar o imaginário de diversos países, continentes e regiões é aglutinadora do ser humano, não como cidadão, mas como ente vivo, a que se associa uma cultura, uma voz, uma imaginação. Afinal, o ser humano é apenas um, e é essa a perspetiva que importa reter. O mundo não se constrói a partir das diferenças, mas sim das muitas semelhanças que todos encerramos.
No concelho de Braga, as Bibliotecas Escolares estão organizadas numa rede de trabalho mais alargada intitulada Rede de Bibliotecas de Braga (RBB). É uma rede que foi inicialmente formalizada pelo Ministério da Educação e o Município de Braga em 2012, integrando para além das bibliotecas escolares, a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, as bibliotecas de duas juntas de freguesia e a Casa do Professor. Julgamos que esta rede contribui de forma consistente para integrar o cidadão leitor ao longo da vida, proporcionando-lhe múltiplas experiências de aprendizagem e de consolidação de literacias fundamentais para uma sociedade baseada no conhecimento, num espaço de partilha, de respeito, de honestidade intelectual, de afetos.

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