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Bibliotecas de Leitura Pública com rosto

“Portanto, saibamos caminhar e …caminhemos!”

Bibliotecas de Leitura Pública com rosto

Voz às Bibliotecas

2023-03-30 às 06h00

Rui A. Faria Viana Rui A. Faria Viana

A Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP) em Portugal comemorou, a 11 de Março, trinta e sete anos da sua fundação. Na sua origem estão dois documentos datados de 11 de Março, um de 1986 e outro de 1987. O primeiro, da responsabilidade da Secretária de Estado da Cultura (despacho nº 23/86, de 11 de Março) que criava um Grupo de Trabalho, coordenado por Maria José Moura, com a responsabilidade de definir as bases de uma política nacional de leitura pública que, nesse mesmo ano, produziu um “relatório sobre as bibliotecas públicas em Portugal” defendendo a implantação e funcionamento regular e eficaz de uma rede de bibliotecas municipais, assim como o desenvolvimento de estruturas de apoio; o segundo (decreto-lei nº 111/87, que seria publicado a 11 de Março de 1987), estabelecia as bases para o desenvolvimento de contratos-programa entre o Governo, representado pelo então designado Instituto Português do Livro e da Leitura – IPLL e as autarquias para a construção de bibliotecas públicas municipais que cumprissem os parâmetros definidos para a RNBP. Ficava desta forma lançada uma política nacional de criação e de desenvolvimento de bibliotecas públicas em Portugal.
A partir daqui, por este país fora, começam a surgir nas sedes dos concelhos diversas bibliotecas públicas/municipais dotadas de colecções actualizadas e em diversos suportes, com livre acesso às estantes, empréstimo domiciliário, secções distintas para crianças e para adultos e gestão profissionalizada, em oposição à “meia dúzia de bibliotecas das câmaras com as estantes fechadas” que existiam. “Tudo poeirento, triste, sem luz. Era uma coisa sem vida” o que existia após mais de uma década do 25 de Abril de 1974.
O que acontece, é uma verdadeira revolução! A modernidade e a excelência começam progressivamente a instalar-se em Portugal com a construção de novos edifícios e a adaptação de outros para bibliotecas. Mas, por trás da construção das bibliotecas de leitura pública e da expansão da rede, estão pessoas, os bibliotecários que desenvolvem no terreno um trabalho extraordinário e são o rosto desta modernidade que, desde há anos, vem acontecendo no nosso país, revelando-se como uma das políticas nacionais, transversais a vários governos, de maior sucesso na área da cultura.
Um desses rostos e figura pioneira das bibliotecas públicas acaba de nos deixar. Trata-se de Etelvina Araújo (1957 – 2023), directora por muitos anos da Biblioteca de Santa Maria da Feira, recentemente falecida (24 de Março), de quem era amigo e tive o privilégio de participar em projectos de índole profissional. Etelvina Araújo foi o rosto da Biblioteca de Santa Maria da Feira! Uma excelente profissional com uma visão alargada, prática e lúcida das bibliotecas públicas. Conheci Etelvina Araújo no I Encontro de Bibliotecários da Rede de Leitura Pública realizado em Esposende, nos dias 30 e 31 de Outubro de 1992, organizado pelo então Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro – IBL, quando ainda dávamos os primeiros passos na constituição da Rede de Leitura Pública em Portugal. Lembro-me que nesse primeiro encontro participaram 44 profissionais, sendo 36 em representação das bibliotecas públicas municipais de vários pontos do país e 8 do IBL. A partir daí, construímos uma amizade fruto de vários contactos promovidos pela causa das bibliotecas, de admiração e de reconhecimento pelo trabalho que realizávamos.
A morte de Etelvina Araújo deixa a causa da leitura pública mais pobre, mas deixa-nos um excelente trabalho realizado. Para sempre, ficam-nos a sua exemplar dedicação à profissão, a sua alegria e o seu sorriso único e contagiante. Até sempre Etelvina!

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