Correio do Minho

Braga, terça-feira

Bem-Estar económico em Portugal é um dos piores da área do Euro

Dar banho às virgens

Ideias

2014-12-27 às 06h00

António Ferraz

Produto Interno Bruto (PIB) é o valor dos bens e serviços gerados (ou dos rendimentos distribuídos aos fatores produtivos que os produziram) por uma economia num dado período de tempo (usualmente, o ano). Mas será o agregado PIB uma medida correta para se aferir do bem-estar económico de um país? A resposta é não, porque tudo vai depender da maior ou menor população do país. Por exemplo, para um igual PIB um país com maior população terá um menor produto (ou rendimento) por habitante (“per capita”) e vice-versa.

Deste modo, para medir o bem-estar económico será mais adequado utilizar o valor do PIB por habitante. Mas será esse indicador económico suficiente quanto baste? A resposta continua a ser negativa, porque a evolução dos preços ou inflação pode variar de país para país e isso faz a diferença. Por exemplo, para um mesmo nível de produto (rendimento) por habitante, o bem-estar económico de um país será tanto maior quanto menor for a sua inflação face a evolução dos preços dos outros países analisados (o país em causa terá um nível de vida ou poder de compra maior) e vice-versa.

Em suma, o indicador que normalmente se utiliza por expressar mais fielmente o bem-estar económico de um país é o chamado Produto Interno Bruto por habitante e expresso em paridades de poder de compra: PIB por habitante em “PPP”, que se obtém do PIB por habitante eliminando os efeitos das diferenças nos níveis de preços entre os países analisados.

Feita esta breve introdução podemos agora levantar a seguinte questão: Com vai o nível de bem-estar económico em Portugal? A resposta é claramente não muito bem. Há é verdade países na União Europeia alargada (UE-28) em situação ainda mais precária em termos de nível de vida (mormente, a maioria dos países de Leste dos últimos alargamentos da UE). Se nos restringirmos à zona Euro então o cenário piora pois somos um dos países com mais baixo nível de bem-estar económico!

Em 1985, um ano antes da nossa adesão à Comunidade, o PIB por habitante em “PPP” português era de apenas 59,6% da média da UE-15, tendo a partir daí a registar-se melhorias no nosso nível de vida. Porém, com o Euro (desde 1999) e mais recentemente com a crise financeira e económica (2008) e da dívida pública soberana (2011), Portugal assiste a um desempenho menos favorável do seu nível de bem-estar, tendo havido mesmo períodos de retrocesso.

Em 2013, conforme recente informe do Instituto Nacional de Estatística (INE) o PIB por habitante em “PPP” português quedou-se pelos 79,0% da média da UE-28 (índice 100) o que traduziu apesar de tudo numa ligeira melhoria face ao ano anterior (2012: 76.0%).

Porém, e mais importante ainda do que esse facto é que o nível de bem-estar económico do País comparativamente com os demais países parceiros da UE-28 não se alterou. Refira-se, a propósito, que na UE-28 e para o mesmo ano o país com maior nível de bem-estar económico foi o Luxemburgo (257,0%) e o mais baixo foi a Bulgária (45,0%). Para Espanha o indicador foi de 94,0%.

Por sua vez, se limitarmos a análise do nível de vida à zona Euro, Portugal mantém a muito pouco cômoda posição no fim da tabela sendo apenas ultrapassado pela Eslováquia, Grécia, Estónia e Letónia.

A que se deve então a ligeira melhoria do bem-estar económico português registada em 2013 face ao ano anterior (embora continuemos bem longe da média da zona Euro)?

(1) Terá havido alguma melhoria do nível relativo dos preços, porventura por uma descida menos acentuada dos preços externos face aos preços internos;

(2) Terá aumentado ligeiramente o nosso PIB por habitante, mas, em preços correntes, com o aumento ainda que baixo da inflação (2011: 3,7%; 2012: 2,8%; 2013: 0,3%) e não como resultado do aumento do PIB em volume dado o crescimento económico negativo da economia portuguesa (2011: - 1.3%; 2012: -3.2% e 2013: - 1.4%;

(3) Porém, o factor mais relevante a nosso ver explicativo da ligeira melhoria do PIB por habitante em “PPP” português foi (e tem sido) a constante diminuição da nossa população residente devido: (a) a redução da taxa de natalidade; (b) aos milhares de imigrantes que tem saído do País; (c) a sangria ano a ano de milhares de portugueses (com relevo para os jovens e qualificados) que se veem obrigados a emigrar em busca de trabalho e sustento.

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