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Basta de retóricas

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Basta de retóricas

Voz às Escolas

2021-01-14 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Poder partilhar o que pensamos, mensalmente, num espaço dedicado a dar voz às escolas é, sem dúvida, um privilégio, sobretudo porque podemos fazê-lo em liberdade.
Mas, como em tudo na vida, os privilégios acrescem a nossa margem de responsabilidade, razão pela qual devemos aproveitar para difundir mensagens que possam, de alguma forma, contribuir para alertar para situações que hipotecam o papel das escolas e, por arrastamento, da sociedade, em geral.
E, assim, em setembro, ao regressarmos à escola, após seis meses de isolamento, entendi que deveria partilhar uma mensagem que convidasse a uma reflexão consciente sobre o papel de cada um na prevenção do agravamento de um problema que, sem uma ação conjunta, nunca poderia ser solucionado.
A Escola reinventou-se, enfrentou uma panóplia de desafios e assumiu a sua quota parte de responsabilidades, embora consciente de que qualquer investimento seria em vão se a sociedade, a começar pelas famílias, não assumisse a parte que lhe cabia na mitigação da evolução do problema que enfrentávamos.
Mas eis que, após três meses de lutas diárias para criar condições de trabalho que permitissem, para além da recuperação, o desenvolvimento das aprendizagens dos alunos, parámos para festejar uma das épocas festivas mais marcantes do calendário, o Natal, e, ao regressarmos, volvidos quinze dias, voltámos ao início.
A cada dia que passa a situação agrava-se, agravando-se as condições em que trabalhamos, nas escolas, e agravando-se as condições que nos permitem viver, livremente, em sociedade, com todas as repercussões daí decorrentes, o que parece não ser alarmante para todos aqueles que, numa atitude de comprovada falta de consciência cívica, entendem tratar-se de uma situação normal, inflacionada por alarmismos desnecessários.
E se, pelas evidências, os desaires económicos não causam grande mossa para tanta gente, gostava que analisassem o problema por um outro prisma, o das implicações na formação do futuro de um país, futuro esse que está a ser severamente comprometido pela inconsciência de todos quantos acreditam que estamos a inflacionar um problema igual a tantos outros.
Chego a questionar se, tais entendidos, já se sentaram com os filhos para avaliarem os estragos provocados pelos meses em que estiveram privados do acesso à escola, sendo que escola é sinónimo de alunos em interação direta, presencial, com os profissionais de educação que os acompanham.
Será que andam tão distraídos que ainda não tomaram consciência do retrocesso, ao nível das competências de relacionamento interpessoal, de desenvolvimento pessoal e autonomia…dos filhos, convictos de que a destreza no domínio das novas tecnologias é suficiente para que, um dia, possam fazer a diferença na sociedade em que vivemos?
Será que não se aperceberam, ainda, que se as escolas fecharem, novamente, como está a ser equacionado, dificilmente poderemos recuperar as aprendizagens não realizadas pelos alunos, quando nos encontramos, ainda, a tentar repor o que não foi conseguido nos últimos meses do ano letivo transato?
Continuo sem conseguir entender o sentido de comportamentos que interferem com os mais elementares direitos de cada um de nós e, simultaneamente, continuo a não ser capaz de conter a revolta crescente, provocada pela inação de quem podia tomar medidas que, de forma clara e inequívoca, impedissem a proliferação de atitudes no mínimo inadmissíveis em pleno século XXI.
Avanços e recuos, proibições e incumprimentos, sem qualquer consequência prática, terão repercussões, como se constata, a todos os níveis, colocando em risco, por tempo indeterminado, todas as conquistas, todos os desafios que enfrentámos e vencemos.
Não deveria ser assim, mas é a dura realidade, razão pela qual chega de retóricas, sob pena do descrédito criar raízes.

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