Correio do Minho

Braga, sábado

Basta de maldades

Investir em obrigações: o que devo saber?

Ideias Políticas

2016-11-29 às 06h00

Hugo Soares

O pedido de demissão de António Domingues da administração da Caixa não demite o governo das explicações que até hoje se recusou a dar. Muito pelo contrário, nunca como agora o País precisa de respostas, e de respostas urgentes. Habituado a passar pelo meio dos pingos da chuva sempre que há problemas, desta vez António Costa vai querer sair seco do meio do dilúvio de enormidades que provocou na CGD. No que depender de nós, isso não vai acontecer. Não vai mesmo!

Se virmos bem, está tudo por responder. E não tem sido por falta de perguntas. Há onze meses que o PSD anda a questionar o governo e em especial o primeiro-ministro sobre a anormalidade que tomou a Caixa de assalto. Mas às incontornáveis perguntas que lhe fazem, o primeiro-ministro responde nada, demonstrando uma falta de transparência e de respeito assombrosas. Com a rara exceção do voto do Bloco de Esquerda na especialidade do OE2017 a acompanhar a proposta do PSD sobre transparência dos gestores públicos, os partidos de esquerda têm sido coniventes com o escandaloso silêncio do governo. Alguém duvida de que noutros tempos um caso destes já tinha motivado um levantamento popular e o pedido de cabeças de um governo inteiro? Julgo que não.

É agora muito perturbador ouvirmos o PCP dizer que todo este escrutínio é “inútil”. A sério?! E porque é que o Bloco acha que “quem não reconhece a lei não serve” para o banco público mas serve para governar o País, uma vez que já todos percebemos que quem fez promessas acima da lei foi o governo? Mistérios…

Ao que hoje se sabe, António Domingues, já demissionário, terá entregue a sua declaração de rendimentos e património no Tribunal Constitucional. É uma exigência da lei que, desde o início, nada o podia desobrigar e só não se compreende porque o fez tão tarde e com tantas resistências. Mas tal só avoluma o rol de dúvidas que a sua curta mas “marcante” passagem pela CGD suscitou desde o primeiro momento.

Por isso, impõe-se perceber as razões da sua demissão. E todas as outras questões também não podem cair no esquecimento: houve ou não compromisso assumido entre o governo e os administradores, isentando estes da apresentação das declarações? A que informação tiveram acesso antes e depois de serem nomeados? Domingues incorreu ou não em eventuais conflitos de interesses ao participar em reuniões em Bruxelas quando ainda estava ligado ao BPI? Os interesses da CGD estão devidamente acautelados? A bem da estabilidade do banco público, exige-se respostas urgentes do primeiro-ministro, do Banco de Portugal e da CMVM.

Na sua ânsia de ficar sempre bem na fotografia, António Costa apenas veio dizer que lamenta a saída de Domingues mas que ninguém está acima da lei. O cinismo e o caráter desleal do primeiro-ministro parecem não ter limites. Uma coisa, porém, é certa. Que não nos venham acusar de provocarmos instabilidade com as nossas perguntas. Quem não deve não teme. O que causa dano e instabilidade à Caixa são as respostas e os esclarecimentos que António Costa teima em negar. Basta de maldades!

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