Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Banda de Cabreiros 175.º Aniversário (2)

“Imposto Google”: e a culpa é da UE?

Escreve quem sabe

2019-01-09 às 06h00

Félix Alonso Cabrerizo

(continuação)
Esta nova imagem e renovação começou no dia 7 de Janeiro de 1993, com uma brilhante actuação da Banda de Cabreiros no Auditório do Parque de Exposições, no V Encontro de Reis e Janeiras, a partir deste momento, a Banda ganhou uma grande dinâmica, com mais de 30 actuações nesse ano de 1993. O segredo deste vigoroso cambio ou nova imagem foi possível pela entrega, entusiasmo e união de todos os componentes da Banda, que estiveram fantásticos e deram o máximo. O repertório musical foi de tal importância e fundamental para este sucesso, apostando em 3 Marchas de Rua, do grande compositor Ilídio Costa, Vinho do Porto, Armindo Alves e Vamos em Frente, que deram um timbre e uma sonoridade diferente à Banda.

Os músicos compreenderam perfeitamente a ideia e nova dinâmica, colaboraram com muito entusiasmo e a Banda foi ganhando estabilidade.
O mesmo aconteceu com as marchas de procissão, mas tivemos a vantagem de que a maioria delas era conhecida pelos executantes, Hermínio Santos Leite, compositor da Maia, era muito apreciado e o trabalho foi mais fácil. Agora o mais importante, e de máxima dificuldade, era planificar a época e analisar cada um dos eventos, sobretudo os mais mediáticos e relevantes, para seguir valorizando a Banda de Cabreiros.
Festas de Sto. Amaro (15 de Janeiro, Prado), Passos da Semana Santa, Semana Santa de Braga, Páscoa de Ressurreição, Mês de Maria, em Maio, Festas de São João e Festas de Agosto; era um calendário muito variado e exigente, mas o resultado foi excelente, os músicos foram incansáveis e realizaram um bom trabalho, e mantiveram essa mística tão especial que caracteriza cada festa.

O maior desafio eram os Passos da Semana Santa, Cabreiros, Real, Celeirós (no ano de 1994 foram também Couto de Cambeses e Barcelos, algo inédito e especial, o que demonstra o prestígio que tem a Banda de Cabreiros) e a grandiosa Semana Santa de Braga, onde foram interpretadas 7 Marchas Fúnebres: Agonia, Paixão, Passeio Macabro, Marcha Fúnebre Nº 2 (obra genial do grande compositor Sousa de Morais, com um solo de barítono de beleza sem igual), Libertação, Marcha Fúnebre de F. Chopin e Joana de Arco de Ch. Gounod, acompanhando com devoção e rigor religioso a mística tão especial da Semana Santa em Braga.
Apostar e ter muitos ensaios em marchas de procissões era uma coisa lógica, porque a Banda de Cabreiros tinha muitas festas com estas características, não duvidemos que a base fundamental da sustentabilidade de muitas Bandas de Música depende deste tipo de serviços, por outro lado nas procissões é onde mais público há, por tal motivo, é importante a qualidade musical.

Em geral, neste período de Outubro de 1992 até 25 de Abril de 1995, foram cumpridos muitos objectivos. A Banda de Cabreiros brilhou muito em diferentes lugares, graças à entrega e entusiasmo destes grandes e valentes músicos que me acompanharam nesta caminhada e conseguimos elevar o nome de Cabreiros por diversos lugares do Minho. Algum dia escreverei mais coisas, muito importantes, desta maravilhosa banda.
Quero agradecer a todos os meus alunos da Escola de Música. Ao meu querido amigo o presidente António Fernandes, com quem tive momentos inolvidáveis, não posso esquecer o seu solo de Fliscorne na Rapsódia Cantigas do Povo, onde interpretava o Fado Mayer de Armandinho, como podem ver, a Banda de Cabreiros foi uma luz para a minha vocação para o Fado, onde agora sou historiador, nada é por acaso. Agradeço ao actual presidente Carlos Sousa que é uma pessoa dinâmica e trabalhadora, está a realizar um bom percurso e tem feito uma programação de excelência no 175º Aniversário da Banda de S. Miguel de Cabreiros.

Quero passar duas mensagens, 1ª nas Bandas de Música deveria tocar-se mais a Música Portuguesa; 2ª um bom Regente de Bandas de Música tem a obrigação de divulgar a Música Portuguesa, por duas coisas importantes A) aprender a conhecer melhor a génese da Música de Portugal e B) aprender a montar uma obra, já que muitas destas obras não estão gravadas pois a utilização de CD’s e gravações empobrecem os conhecimentos do Regente.
Obrigado Banda de Cabreiros, me destes a conhecer e a ser mais mediático em Braga e em todo o território português.

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