Correio do Minho

Braga, terça-feira

Banco de Livros Escolares: reutilização e maximização de manuais escolares usados

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Escreve quem sabe

2016-06-30 às 06h00

Carla Araújo

Questiono-me muitas vezes sobre a perceção que a sociedade tem quanto ao trabalho que, diariamente, é realizado dentro de uma escola e quanto à multiplicidade de tarefas que têm que ser asseguradas para que cada aluno tenha acesso a um ensino de qualidade e, paralelamente, a uma formação para a cidadania, ajudando-o a construir o seu percurso de vida e a adquirir saberes que o tornem capaz de intervir, de forma assertiva, nessa mesma sociedade.
Não teria qualquer sentido interrogar-me se, efetivamente, não fosse confrontada, regularmente, com atitudes que levantam dúvidas sobre o conhecimento efetivo do que é uma escola, mas o confronto com episódios que podem ser classificados, no mínimo, de surrealistas, tem-me levado a refletir sobre o rumo de um país que assim alicerça o seu futuro, consciente de que esta escola de que falo, e que defendo incondicionalmente, tem a seu cargo a árdua tarefa de preparar os jovens para os desafios do futuro.
A sustentabilidade de um país depende de uma série de fatores, todos eles determinantes para o sucesso da economia, economia essa de que depende o funcionamento de áreas tão essenciais como a saúde, a educação e a justiça, peças fundamentais de qualquer regime político, sem a salvaguarda das quais a sociedade colapsaria, pelo que deveriam ser de prioridade máxima para qualquer governo, independentemente da doutrina que defende, razão pela qual tenho grande dificuldade em entender algumas decisões e os efeitos colaterais que provocam.
Sendo a educação um dos principais motores do desenvolvimento social e económico da sociedade, uma das áreas vitais para a sobrevivência de um país, deveria ser analisada numa perspetiva global, numa efetiva concertação de políticas despidas de qualquer doutrina partidária, com o único objetivo de criar condições para que a escola recuperasse o estatuto que lhe é devido e os profissionais de educação voltassem a ser valorizados e reconhecidos, condição sine qua non para que o sistema educativo possa acompanhar a evolução da sociedade e responder às reais necessidades educativas da população, apostando na inovação e na diversidade.
Impõe-se repensar a escola, reconhecer o seu direito a espaços de autonomia que lhe permitam inverter os efeitos nocivos decorrentes do descrédito em que caiu, resultantes de políticas avulsas, meramente partidárias; impõe-se promover novas políticas educativas alicerçadas em debates alargados, sobretudo ao nível das matérias estruturantes condicionantes do tal sucesso que se persegue e que tanta tinta tem feito correr; impõe-se olhar a escola com renovado olhar, um olhar aberto e recetor de imagens construídas no terreno por quem sabe ao que anda, independentemente da perceção que ainda persiste, e em grande escala, de que, com o devido respeito, um profissional de educação não passa de um mero funcionário público.
E se a sociedade, na sua generalidade, desconhece a Escola, eis que surgem outras razões para me questionar, fruto da margem de ceticismo com que encaro o papel dos agentes políticos, mais ou menos locais, na questão da dotação das escolas de recursos para melhorar os resultados, inovando e diversificando estratégias, num processo implementado a um ritmo alucinante, quando o expectável seria que nos permitissem a serenidade possível para encerrar e avaliar um ano letivo, sustentando a preparação do que se avizinha.
Louvo os propósitos, com o benefício de que terão subjacentes princípios de rigor, assentes num plano estratégico a longo prazo que nos permita, desta vez, iniciar e concluir um processo sem interrupções para que, pelo menos, haja tempo para avaliar.
Mas que continuo a questionar-me…não vale a pena esconder.

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