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Balanço de 2017 e algumas tendências económicas

Granjear futuro

Escreve quem sabe

2018-01-25 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

De uma forma geral, 2017 foi um ano positivo para as empresas da região Norte, como do resto do país, sendo este desempenho transversal a, praticamente, todos os setores de atividade económica. Mas terá sido 2017 um ano atípico, que, simplesmente, beneficiou de uma conjugação perfeita de diversas variáveis? Ou existirão algumas tendências mais estabilizadas, que se podem depreender de uma obser- vação mais atenta da atividade empresa- rial, que permitam olhar para o futuro com otimismo?
Bem, apesar de, de facto, o ano 2017 ter sido um ano especial, julgo que existem algumas tendências na economia da região e do país que merecem uma reflexão mais atenta.
1- Comércio e serviços - retoma no consumo interno e novos hábitos de consumo
A devolução de alguns dos rendimentos cativados pelo Estado aquando do programa de assistência financeira, acompanhado de algum alívio da pressão fiscal, permitiu a restituição de algum poder de compra aos portugueses. Este aumento do rendimento disponível, juntamente com o aumento dos níveis de confiança dos portugueses e da diminuição da taxa de desemprego, gerou um aumento do consumo interno, com reflexos evidentes nos setores do comércio e serviços.
Paralelamente, tem-se assistido a uma alteração substancial do comportamento dos consumidores, ao nível da escolha do seu local de eleição para a realização de compras. Se durante muitos anos, os portugueses se deixaram seduzir pelos grandes centros comerciais, nota-se, agora, de forma crescente, a preferência pelo comércio dos centros das cidades como a primeira opção para a realização de compras.
Igualmente relevante é o surgimento de um novo segmente de clientes – os turistas. O aumento significativo e consecutivo, ano após ano, do número de turistas no país, assim como na região Norte, proporcionou ao comércio local a possibilidade de alargar a sua área de atuação para um universo cada vez mais global.
2 – Turismo - um setor em ebulição
Durante muitos anos, ouviu-se falar do turismo como um negócio de grande potencial, mas não tínhamos, ainda, uma dimensão relevante que permitisse apontar este setor como um motor da economia. Nos últimos anos tudo mudou. Hoje é um setor verdadeiramente em ebulição e com um efeito contagiante a outros setores de atividade económica, como o comércio e serviços, ou o setor imobiliário. Em vez de ser a oferta a tentar estimular a procura, é a procura que, verdadeiramente, estimula oferta.
Todos os dias surgem novos projetos, novos operadores, novos conceitos e tipologias de negócio e esta grande dinâmica tem permitido manter os níveis de crescimento que Portugal tem registado nos últimos anos e manter o país como um destino atrativo.
3 - Divórcio da banca comercial
Durante o programa de assistência técnica e financeira, a que Portugal esteve sujeito, a banca comercial diminuiu, de forma significativa, o crédito concedido às micro e PME, tendo-se verificado, em muitas situações, casos de supressão completa das linhas de financiamento concedidas, que originaram uma quebra evidente das relações de confiança entre as empresas e os bancos. Hoje em dia, ainda se verificam os efeitos desta conduta das instituições financeiras, notando-se uma tendência generalizada para os empresários das micro e PME recorrerem a financiamento bancário como uma solução de último recurso. Se, por um lado, esta situação, concorre para uma menor dependência de financiamento bancário por parte das empresas, por outro, diminui, de forma substancial, a capacidade de investimento do tecido empresarial. Como em qualquer relação, será necessário tempo para que o sistema bancário reganhe a confiança das empresas portuguesas.
4 - Afastamento dos apoios previstos no Acordo Portugal 2020
Neste quadro comunitário tem-se notado um afastamento muito significativo das empresas relativamente aos sistemas de incentivos disponíveis no âmbito do Portugal 2020. As razões são diversas mas destacam-se: a complexidade dos sistemas de incentivos, os atrasos constantes na apreciação de candidaturas e de pedidos de pagamento, a imprevisibilidade na abertura de fases de candidaturas, a burocracia associada e a pouca atratividade de alguns incentivos.
O governo apresenta taxas de execução generosas que parecem demonstrar outra realidade. Mas, na verdade, uma parte muito significativa dos incentivos concedidos, para modernizar a economia, são absorvidos por organismos e institutos públicos ou por outras instituições de apoio à atividade empresarial, que não as empresas.
Espera-se que 2018, e os anos seguintes, confirmem e consolidem os níveis de crescimento económico em Portugal e na Europa, e que estes permitam uma convergência real do país com os restantes países da zona Euro. Para tal, é fundamental que se garanta um clima de estabilidade económica, social e política e que se faça uma aposta clara na atração de novo investimento, de população ativa e de talentos para a região e para o país.

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