Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Aventuras na Gelfa

Portugueses reciclam cada vez menos? Não, na área da Braval reciclam cada vez mais!

Conta o Leitor

2013-07-15 às 06h00

Escritor

Eduardo Castro

Pedro e Tiago são daqueles amigos de peito que nunca se separam. Uma amizade total onde o lema dos mosqueteiros se mantem aqui intacto: Um por todos. Todos por um. Neste caso são apenas dois mas, sempre fiéis.
Pedro e Tiago pegaram certo dia nas trouxas e em meia dúzia de patacas e toca a andar comboio fora até Gelfa. Essa mesma. Essa mesma estação onde hoje já nenhum comboio pára e dantes fazia as delícia dos jovens ofegantes por aventuras. Ali ao lado ficava (e ainda fica) o parque de campismo. É para lá que vão os dois putos, reguilas mas já sabidotes. É lá que sonham com aventuras, namoriscos de noites de Verão, tanto mais que bem perto se ouvem os sons das discotecas.

Antes de tudo os jovens adolescentes marcharam para o interior do parque e procuraram a mais fresca das zonas. O montar da tenda ainda é do tempo em que tudo é bem complicado. Tubos e estacas e mais estacas. Puxa daqui e puxa dali e... olha que ficou mal preso e agora tudo caiu de vez. Toca a montar de novo. Mais meia hora de trabalho forçado. Porcaria de tenda. Já velha e gasta e que nunca mais se acaba de montar. Ao fundo o velho Francisco já chama para o jantar. Antes uma passagem pelos balneários e depois um belo repasto com a ajuda de amigos de longa data. Pedro e Tiago bem se aproveitam dos ‘restos’ de outras mesas, depois de pedirem uma omeleta bem passada. Francisco parava na mesa com algumas sobras de outros clientes mas com travessas limpas, sem javardice.

A noite começa a animar e os bons vivants lá começam a meter conversa com as raparigas da mesma idade. Mas chegam à conclusão que são mais elas a meter conversa do que eles.
Bastaram meia dúzia de conversas, duas ou três idas à praia e lá estavam os dois com elas bem fisgadas.
Pedro e Tiago lá arranjaram as namoradas de Verão. As duas do Porto. Bem parecidas e também bem vividas para a idade que tinham. Antónia e Raquel. A dupla de sucesso que com Pedro e Tiago faziam um belo quarteto.

Mais meia dúzia de dias e já começava a farra. Jantares, conversas nocturnas, outras coisas também ao sabor do luar e muitas idas à praia mesmo com a água fria, ou bem fria.
E com tantas idas e vindas e tantas noites passadas, a primeira semana já tinha passado.
Pedro e Tiago lá continuavam com os esquemas bem montados com Francisco. O dinheiro não dava para muito mais. Era preciso arranjar mais um reforço para ir beber umas bejecas com as miúdas a Vila Praia de Âncora.

Toca a montar o esquema de sempre... aproveitar as garrafas espalhadas por todo o lado e fazer uma recolha a pente fino o que se traduz em mais uns cobres com o vasilhame. Tudo para mais uma noite de sucesso.
O fim-de-semana estava à porta e pela porta do parque de campismo ansiava-se já por nova gente, que é como quem diz, novas miúdas. Tudo para arregalar os olhos.
E os olhos... ficaram bem arregalados. Por ali entraram duas garinas de Lisboa, bem giras por sinal. Toca a fazer o cerco sem Antónia e Raquel perceberem.

Bastaram dois dias para meter conversa e aproveitar uma ida à Galiza das portuenses para passar um dia de encanto com as novas lisboetas. Isabel e Cândida eram os nomes dos novos trunfos...
Estes novos encontros com tudo pela calada... E pela calada da noite lá combinaram os quatro uma dia à discoteca. Foi o fim do mundo tudo terminou às tantas da madrugada na praia e onde nem se sentia o frio do mar. Todos nas nuvens. Isto é os quatro... que não davam pelo tempo passar.

Depois de muitas horas lá regressaram ao parque onde os primeiros raios de sol se faziam sentir e o dia prometia mais um tempo quente de Verão.
O sono foi grande. Já depois do meio dia os primeiros acordares dos dois conquistadores. Pedro e Tiago lá começaram a despertar e rapidamente se aperceberam que tinham Antónia e Raquel quase a chegar para mais uma ida para a praia...

Sairam da tenda. Mas alguma coisa não batia certo. A única coisa que ali batia certo eram as três badaladas do relógio do vizinho a darem as horas.
- Três da tarde e ninguém veio ter connosco? Esquisito, pensaram os dois...
E.. ups... de facto havia ali qualquer coisa que não estava a funcionar direito...
Olharam à sua volta e viam só garrafas. Montanhas de garrafas vazias e muito lixo. Mas havia mais... as roupas e o calçado tinham desaparecido. Tudo desapareceu.
Pedro e Tiago tinham ali um grande problema. E maior ainda porque Tiago tinha uma verruga no pé direito e não conseguia pousar a planta no chão.

Mas que dia. Pois... um dia que vai dar muito que fazer depois de uma noite de sonho.
O que aconteceu afinal? Quem fez aquele “roubo”? Sim, “roubo” entre aspas porque pensaram logo que aquilo foi obra de alguém que os conheciam. Ou para lhes pregar uma partida ou...
Pois... já os dois imaginaram o que se tinha passado. Antónia e Raquel vieram a saber o que eles tinham tramado na noite anterior e toca a vingarem-se. Mais tarde descobriram tudo. As duas tentaram fazer ciúmes quando foram encontradas à porta de uma tenda numa das pontas do parque. Riram-se quando Pedro e Tiago passaram. Tiago ainda implorou para ver se elas devolviam os pertences mas... nada. Nem ligaram.
Bonito serviço.

Pedro e Tiago não podiam mais. Durante um dia inteiro andaram descalços e de calções. E, à noite, lá se encontraram com Isabel e Cândida com estas a prepararem mais uma noite de discoteca e farra. Mas eles não podiam. Só tinham os calções vestidos, nada mais. Elas acharam estranho mas eles combinaram a hora do encontro mas acabaram por não aparecer porque nem as roupas nem o calçado apareceram.

No dia seguinte as duas não gostaram da brincadeira por terem estado à seca tanto tempo que lhes deram um bom raspanete:
- Não brinquem mais connosco. O que fizeram não se faz a ninguém. São mentirosos, aldrabões e não prestam - disseram elas que voltaram de imediato as costas e nunca mais ninguém as viu.
Quando o sol mostrava que era já meio-dia Pedro e Tiago regressaram à tenda. Entraram e... para seu espanto lá estava a roupa e o calçado. Por cima, um bilhete:
- Quem tudo quer, tudo perde! Com a Antónia e a Raquel ninguém brinca. Xau!
E.. tudo se perdeu. Mas a lição ficou para a história dos dois bons amigos que nunca mais voltaram a fazer das suas...

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