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Avante que se faz tarde

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Avante que se faz tarde

Ideias

2020-09-06 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Nas últimas semanas, o Partido Comunista Português tem estado no centro do debate político e social devido à realização da Festa do Avante, que hoje termina. Estou a referir-me a um partido político essencial ao nosso sistema democrático, pelo trabalho que tem desenvolvido. De facto, o PCP foi importante na luta que desencadeou contra o regime Salazarista, foi, também, importante na consolidação da nossa Democracia e continua a sê-lo.
Desde que a atual pandemia chegou a Portugal e provocou as suas primeiras vítimas, no dia 2 de março deste ano, todos foram obrigados a alterar os seus hábitos, tanto sociais como laborais. Por outro lado, assistimos ao encerramento total ou parcial de centros industriais, comerciais, educacionais, culturais, desportivos e religiosos.

Vejamos que:
Em março, assistimos ao encerramento de escolas, universidades, indústrias, lojas, mercados, feiras, igrejas, pavilhões e estádios, num confinamento que nem as duas Guerras Mundiais foram capazes de proporcionar, e absolutamente arrepiante na altura;
Em março, no segundo espaço religioso português mais visitado (cerca de 2,5 milhões de visitantes por ano, logo a seguir ao Santuário de Fátima), a primeira grande romaria do ano no Santuário de São Bento da Porta Aberta, em Terras de Bouro, que assinala a morte de S. Bento, foi cancelada;
Em abril, assistimos ao invulgar cancelamento das imponentes procissões da Semana Santa de Braga, que não se realizaram numa tentativa de evitar o contágio desta pandemia;
Em maio, assistimos ao cancelamento de uma das mais sublimes romarias do Minho, a Festa das Cruzes, em Barcelos, que movimenta anualmente centenas de milhares de pessoas, e que não se concretizou, pela primeira vez, nos últimos cinco séculos;
Em junho, não se realizaram as tradicionais festas populares, nomeadamente o Santo António (em Amares e V. N. de Famalicão) e o S. João (em Braga) que atraem centenas de milhares de pessoas;
Em julho, uma das grandes romarias de Entre Douro e Minho, a Romaria Grande de S. Torcato, que se realiza desde 1852, não ocorreu. Da mesma forma, não foi realizada a segunda grande romaria do ano, no Santuário de São Bento da Porta Aberta;
Em agosto, as Festas Gualterianas, em Guimarães, que se celebram desde 1906, foram assinaladas de forma simbólica, sem espaço de diversões e sem a tradicional Marcha Gualteriana; as festas concelhias em Honra de São Brás (Terras de Bouro) foram canceladas devido à atual pandemia; e, pela primeira vez em 248 anos, não se realizou a emblemática Romaria d’Agonia (Viana do Castelo).

Assim, desde que a pandemia nos atingiu em março, foram centenas as festas e romagens que foram canceladas nas diferentes freguesias do Minho!
Por outro lado, a nível nacional não foram realizados os habituais festivais de verão, destacando-se aqui os emblemáticos “Rock in Rio”; “Nos Alive”, “Meo Sudoeste”, “Super Bock Super Rock”, “Vodafone Paredes de Coura”, “EDP Vilar de Mouros”, entre outros.
O cancelamento de todos os eventos públicos e privados afetaram e continuam a afetar muito a economia desta região, nos seus diferentes setores, destacando-se aqui o cultural, que está a passar por um dos períodos mais negros!

Segundo dados do INE, trabalham no setor da Cultura cerca de 130 mil pessoas. Todas, ou quase todas, ficaram paradas nestes seis meses e, consequentemente, foram atingidas devido à falta de remuneração!
Daqui a dias, a 15 de setembro, está anunciado que Portugal irá entrar, novamente, em plano de contingência, precisamente para prevenir o agravamento da pandemia, num período que se prevê muito difícil, devido ao início do novo ano letivo com o regresso às escolas de centenas de milhares de alunos.
Neste contexto, é de facto lamentável que o Partido Comunista Português tivesse teimosamente insistido na realização da sua Festa do Avante. Por mais importante que seja a mensagem política que queiram (ou quisessem transmitir), as redes de comunicação social atuais são suficientes e eficazes na transmissão dessa mensagem política.

Jamais esqueceremos aquilo que temos passado nos últimos seis meses: casamentos adiados, funerais limitados, festas de finalistas anuladas, não esquecendo aqui o drama que se tem vivido nos lares de Terceira Idade, onde os idosos e os seus familiares ficaram impedidos de se verem durante meses, aumentando desta forma a amargura e o sofrimento, para muitos fatal, deste isolamento.
Ninguém, em absoluto rigor, poderá prever aquilo que nos espera nos próximos seis meses (outono e inverno) e as consequências que daí advirão para todos, quer a nível social, quer a nível económico. Nem sequer os dirigentes do PCP podem prever as consequências do seu ajuntamento de milhares de pessoas no mesmo espaço. Estejam ou não separadas!
Num momento em que ainda nos confrontamos com um vírus incerto, não se compreende este autêntico “Avante” que se faz tarde, na eventual propagação do vírus que todos desejamos não aconteça.

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