Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Atualidade

O mito do roubo de trabalho

Ideias Políticas

2016-06-21 às 06h00

Hugo Soares

Este Partido Socialista não tem emenda. Tem mesmo uma dificuldade crónica em conviver com a transparência, prefere a opacidade, com a crítica, prefere o unanimismo militante e até com a liberdade de imprensa, prefere o bajulador ao imparcial.

O processo de recapitalização da CGD demonstra à saciedade a dificuldade do PS (e do Governo) em lidar com o escrutínio e a diversidade. Durante um par de semanas, fontes do Governo colocaram notícias em vários jornais diários anunciando a necessidade de recapitalização da CGD com valores próximos de 4 mil milhões euros; por outro lado, vários governantes, incluindo o Primeiro-Ministro, foram fazendo questão de dar nota pública de uma negociação perto do fim com a Comissão Europeia para a recapitalização da CGD; e como se não bastasse, ainda assistimos a declarações capciosas que queriam imputar responsabilidades da situação real da CGD ao anterior Governo. Ora, tal afã noticioso, qual incontinência verbal (a que já tínhamos assistido no Banif), tem como efeito direto uma desconfiança brutal no banco público por parte dos seus clientes e potenciais clientes.

Sendo a CGD um banco público (como deve continuar a ser) não pode viver neste clima de suspeição, de opacidade e muito menos estar a soldo dos partidos políticos e dos seus boys aparentemente qualificados. O maior dano que se pode causar a uma instituição financeira, cuja confiança que projeta nos outros é o seu maior ativo, são as insinuações na praça pública à volta da sua capacidade solvente.

Assim sendo, e a contrario, a transparência e o escrutínio só podem trazer confiança, estabilidade e, por via disso, negócio. A CGD é um banco público e, como tal, o dever de escrutínio por parte da AR (que representa os portugueses) ganha ainda mais relevo e importância. Esta é a razão impositiva de uma comissão de inquérito parlamentar: escrutinar e devolver transparência ao banco público que, por ser público, tem como principal e único acionista o povo português.

Foram estas as razões que levaram o PSD a apresentar potestativamente (de forma obrigatória, entenda-se) um requerimento com vista à constituição de um inquérito parlamentar à gestão da CGD. Não se percebem, por isso, as razões do PS e do PCP para estarem contra este escrutínio. Aliás, do PS até podemos induzir, mas do PCP só é possível um entendimento da sua posição se a enquadramos numa total captura do mais antigo partido português pelo PS e pelo poder.

Como já tive ocasião de dizer, em debate parlamentar na sequência do caso BPN, os Tribunais não têm partidos e os crimes não têm ideologia, por isso, doa a quem doer, descubra-se a verdade; perceba-se o que aconteceu ao dinheiro emprestado; saiba-se porque se emprestou dinheiro sem garantias idóneas; e nunca mais se repita o mesmo erro. Este, aparentemente, pode custar 4 mil milhões de euros aos portugueses…

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

11 Dezembro 2018

Cultura plena

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.