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Atividades no AECA em tempos de pandemia

A bacia cor de laranja

Atividades no AECA em tempos de pandemia

Voz às Escolas

2021-06-14 às 06h00

Hortense Lopes dos Santos Hortense Lopes dos Santos

As atividades das nossas escolas estão condicionadas pela pandemia. Apesar de todos os constrangimentos, continuamos a incentivar a participação dos alunos em variadíssimas atividades, muitas delas fora da sala de aula, envolvendo outras entidades. Podemos falar de muitos exemplos, envolvendo crianças e alunos desde o jardim de infância ao ensino secundário, com a participação em variadíssimos concursos, olimpíadas, apresentação de trabalhos, entre outros. Hoje, partilho com os leitores três exemplos de atividades realizadas com alunos do ensino secundário, nesta reta final do ano letivo.
- No passado dia 22 de abril, alguns alunos do 12.º O participaram na “Cimeira das Democracias”. Esta iniciativa foi organizada, como já vem acontecendo nos últimos anos, pelo Instituto de Estudos Políticos (IEP) da Universidade Católica Portuguesa, dedicada este ano ao tema “A Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia” através da plataforma Zoom. Num momento em que Portugal assume a Presidência do Conselho da União Europeia, o Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa decidiu dedicar a edição deste ano precisamente à Presidência Portuguesa e aos seus principais objetivos.

Este ano a Cimeira contou com 34 equipas de 24 escolas de Norte a Sul do país e das regiões autónomas, mais 32 observadores individuais, representando cerca de 200 alunos e 26 professores. A Cimeira foi ainda transmitida pelo YouTube, tendo sido ainda amplamente divulgada pelo site do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal. Esta “Cimeira das Democracias” procurou aproveitar as prioridades apontadas pela Presidência Portuguesa para refletir sobre os problemas que nos marcam, mas também para procurar respostas em conjunto e debatê-las, na certeza da força da UE que já no passado superou crises e dificuldades e permitiu, pela liberdade da sua sociedade civil e da cidadania participativa alcançar caminhos que nos levaram mais longe. Esta atividade lançada pelo Instituto de Estudos Políticos procurou estimular numa simulação de uma grande Assembleia de Estados a pesquisa e o debate sobre estes valores políticos da maior relevância para o entendimento da cidadania europeia - e também para a constante revitalização da nossa Democracia.

A abertura da Cimeira foi presidida por Dr. José Manuel Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia entre 2004 e 2014, e contou com a participação de vários convidados como, por exemplo, a Dr.ª Elisa Ferreira, Comissária Europeia e o Embaixador Nuno Brito.
Previamente os alunos elaboraram o “Barómetro da Democracia” e apresentaram uma proposta sobre “A Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia”, no caso dos alunos da ESCA “vestindo a pele” da ONU, a organização que lhes foi atribuída. No decorrer da sessão, os alunos integraram as 5 Comissões Especializadas (por tema) e elaboraram “Moções” sobre “A Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia”, participaram na Assembleia dos Estados, na votação das Moções e na sessão de perguntas de Jornalistas.

- No dia 1 de junho, um grupo de 30 alunos participou na escola, no projeto EU/ON SCALING UP, promovido pelo Município de Gaia, através do Gabinete da Juventude, aprovado no último round das KA3 do programa Erasmus+, Juventude em Ação. Trata-se de um projeto de Diálogo Jovem e destina-se a jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos. O projeto promove 7 ações a nível nacional, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores para contribuir para (re)descoberta e projeção da União Europeia. A sessão incluiu, para além dos 30 alunos, do 10º ao 12º ano,  3 decisores políticos e peritos de juventude. O Roadmap do EU/ON SCALING UP contemplou atividades de educação não - formal/ grupos de trabalho com jovens, decisores políticos e peritos em políticas de juventude.
- Nos passados dias 4 e 8 de junho, as turmas de Línguas e Humanidades do 12º ano da ESCA, no âmbito da disciplina de História A e organizado pelo professor Francisco Marinho, realizaram um percurso pedonal por algumas artérias da cidade evocando as memórias relacionadas com o poder e ação da resistência bracarense. O percurso contou com um guia muito especial, o Dr. Henrique Barreto Nunes. Um profundo estudioso sobre a ação da resistência, durante o Estado Novo, na nossa cidade sendo coautor da obra «Os Democratas de Braga - Testemunhos e Evocações», juntamente com José Viriato Capela e Artur Sá da Costa.

O percurso iniciou-se junto da Igreja do Pópulo, passou pela Praça do Município, Campo das Hortas, Largo do paço, rua dos Capelistas, Arcada, café a Brasileira, antigas instalações do «Nosso Café», culminando junto do Theatro Circo. Figuras como Victor de Sá, Eduardo Ribeiro, Lino Lima, Humberto Soeiro, Santos Simões, José Sampaio ou Francisco Salgado Zenha, foram algumas das muitas ilustres figuras bracarenses ou minhotas que foram evocadas através de pequenas histórias que envolvem a ação da resistência na nossa cidade.
Das muitas histórias com que o Dr. Barreto Nunes deliciou e prendeu a atenção dos alunos, foi a figura de Victor de Sá, cujo centenário do seu nascimento se assinala este ano, que mereceu um grande destaque. Junto ao edifício na rua dos Capelistas onde outrora funcionou a livraria criada por esta figura incontornável da resistência bracarense. A sua vida de luta, de coerência, de serviço pela causa pública, pela cultura e pela cidadania, foi amplamente destacada por Barreto Nunes. Referiu, por exemplo, a importância da criação da “Biblioteca Móvel”, cujo recheio cresceu das duas centenas de títulos existentes inicialmente, para mais de 1500 quando cessou a atividade em 1950: “livros que chegaram em mão e pelo correio a leitores essencialmente carenciados de meios, nas cidades, nas aldeias e em lugares recônditos do país, por um custo simbólico que permitia adquirir mais livros e cobrir os portes de correio”.

Em frente ao edifício do Theatro Circo, uma aluna leu um pequeno texto sobre um testemunho de um oposicionista ao Estado Novo, na reunião realizada naquele edifício por altura das eleições de 1973 para a Assembleia Nacional, a quem foi dada voz de prisão por ter lido uma declaração contra a Guerra Colonial. Este episódio foi o mote para Barreto Nunes relembrar outras situações relacionadas com a ação da oposição bracarense e do seu papel na luta pela democracia.
Este texto teve a colaboração do professor Francisco Marinho.

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