Correio do Minho

Braga, sábado

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Ativar Braga - Centros Comerciais de 1ª Geração

Norte sobe no Ranking Regional de Inovação

Escreve quem sabe

2016-01-22 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Os Centros Comerciais de 1.ª Geração emergiram e predominaram no panorama nacional durante os anos 70 e 80.
Desde então, e até aos dias de hoje, as cidades sofreram profundas transformações abalando de forma intensa estas estruturas, que se tornaram obsoletas, desajustadas em termos arquitetónicos (funcionalidades, conforto, decoração, etc.), abandonadas e com uma oferta reduzida e pouco apelativa para a grande maioria da população consumidora.

Perduram nos centros urbanos, como que perdidos no tempo, representando um elevado custo de oportunidade em termos de espaço, de negócios e até de contributo para a tão propalada regeneração urbana.
Entre os fatores que mais contribuíram para este agonizante e crescente desajustamento, destacam-se as profundas mutações nos conceitos e formatos de comércio; as mudanças substanciais nos comportamentos, hábitos e padrões de compra; e a “redescoberta” dos encantos do comércio de rua.

Os Centros Comerciais de 1.ª Geração, outrora verdadeiros polos de atração, foram perdendo ao longo do tempo o seu carisma e mostraram-se incapazes de contrariar a crise que os afeta há algumas décadas e de responder às novas necessidades dos consumidores modernos. Foram assim perdendo clientes e, consequentemente, reduzindo a capacidade de realizar negócios e, por esta via, de fixar as empresas existentes ou atrair novas.
Estes espaços comerciais fazem contudo parte da história das nossas cidades e integram as recordações da população pois representam, para muitos, o primeiro centro comercial que conheceram e com o qual criaram laços fortes.

Importa, por isso, fazer uma reflexão profunda sobre as possíveis estratégias para a revitalização destes equipamentos urbanos, identificando as suas potencialidades e analisando possibilidades de novas ocupações, ajustadas aos novos padrões de consumo do morador do centro da cidade e da sua periferia, e de que forma estas intervenções se podem assumir como verdadeiros instrumentos de reabilitação urbana.
Há portanto que repensar - no âmbito de uma abordagem coletiva que envolva os agentes económicos e sociais - o papel e posicionamento destes espaços adaptando-os e enquadrando-os com as necessidades atuais dos consumidores e dos centros urbanos.

Estudos da conceituada consultora internacional CBRE apontam que, como em todo o mercado imobiliário, também no setor do retalho, terminou a era da construção e começou a era da renovação, seja pela remodelação, reabilitação ou reposicionamento e que esta é uma tendência que deverá começar a acentuar-se nomeadamente no que respeita aos pequenos centros comerciais localizados nos centros das cidades. Aliás a própria Associação Portuguesa de Centros Comerciais apontava já em 2013 que recuperação deste género de espaços mais antigos poderia ser uma tendência no futuro.

Braga, ‘Capital do Comércio’, pretende novamente fazer jus a este título e liderar o exemplo, quer na conceção de soluções tendentes à recuperação destes espaços, quer na implementação de tais soluções, nomeadamente, por via da qualificação e capacitação do tecido empresarial a alojar nos mesmos.

Para o efeito, a Associação Comercial de Braga apresentou candidatura do projeto ‘Ativar Braga - Centros Comerciais de 1.ª Geração’ ao Norte 2020, que permitirá, caso seja aprovado, a realização, no prazo de 18 meses, de uma análise profunda dos fenómenos que afetam este tipo de estruturas comerciais, procurando desenvolver um olhar crítico específico, que sirva de mote ao ensaio de medidas de revitalização desta franja de tecido empresarial, a testar em 5 casos pilotos, donde se retirarão importantes aprendizagens que serão a base das futuras metodologias de intervenção nos demais casos, quer na cidade de Braga, quer na região Norte e, eventualmente, extensível a todo o território nacional.

Mais do que, meramente, testar no nosso concelho algumas soluções pouco inovadoras que já têm sido experimentadas noutras regiões do país (quase todas limitadas à requalificação do espaço e da sua arquitetura, ao rebranding e/ou à especialização em negócios de nicho) a ACB quer, ao abrigo deste projeto, identificar quais os fatores críticos ao sucesso destes espaço e trabalhá-los adequadamente por via dos seus interlocutores diretos (as empresas inquilinas).

Por outras palavras, quanto maior a qualificação das unidades empresariais aí instaladas e maior a sua sensibilidade para as áreas críticas de competitividade, maior será a sua capacidade de resposta pró-ativa na dinamização comercial e na criação de valor para os clientes. Como é do conhecimento geral, não há territórios (nem espaços comerciais) competitivos se as suas unidades económicas não o forem.

Todavia, antes da qualificação, é de especial interesse perceber qual a estratégia futura para estas unidades o que implica um estudo aprofundado da sua realidade, do qual emergirão naturais caminhos futuros, os quais podem passar pelas típicas atividades de comércio a retalho e serviços a particulares e/ou por alguma especialização que possa oferecer valor acrescentado aos consumidores, gerar receitas para os negócios e criar arrastamento na envolvente, promovendo o próprio concelho de Braga como um todo.

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