Correio do Minho

Braga, sábado

Até quando a falta de civismo?

Investir em obrigações: o que devo saber?

Ideias

2013-05-15 às 06h00

Pedro Machado

Um dos fatores que aponta um país como desenvolvido é o civismo dos seus habitantes.
Senão vejamos: os países mais desenvolvidos e com melhor qualidade de vida são os países nórdicos. Nesses países assiste-se a um grande civismo da população, a um cumprimento das regras instituídas como sendo o comportamento normal.
O que será preciso acontecer para que se verifiquem estas atitudes em Portugal? Como pode-remos querer um Portugal mais desenvolvido se continuamos a assistir a situações incríveis de falta de civismo e respeito pelo outro?

Nós temos as infra-estruturas e sistemas de recolha de resíduos dos mais desenvolvidos do mundo mas continuamos a desrespeitar as regras de boa utilização dos mesmos. Continuamos a assistir a colocação de resíduos fora de contentores, fora de horas ou dias próprios para a recolha e, o mais grave e revoltante, a colocação de resíduos indiferenciados nos ecopontos, contaminando os resíduos recicláveis que outros tiveram o cuidado de separar. Estimamos que cerca de 20% dos resíduos recolhidos nos ecopontos são refugo, ou seja, não servirão para reciclar pois não são recicláveis ou ficaram contaminados por resíduos que indevidamente foram colocados no ecoponto.

Mais grave ainda, na minha opinião, é que esta situação é frequente em zonas de habitantes de classe média/alta, que são normalmente os mais críticos e reivindicativos.
Aqui reside a raiz do problema, temos um serviço eficiente, temos todos os meios à disposição, mas se não são usados como deveriam, não podemos ser bem sucedidos.

No caso de Braga, a recolha é excelente, no centro urbano, é realizada diariamente, com exceção do domingo. É rara a cidade europeia onde isto acontece! Se temos este privilégio, qual é a necessidade de colocar os resíduos na rua fora do horário devido, colocá-los junto aos ecopontos ou, mais grave ainda, colocar os resíduos indiferenciados no ecoponto? Será assim tão complicado guardar os resíduos em casa por mais algumas horas? Será assim tão complicado separar as embalagens nos ecopontos e não colocar qualquer resíduo indiferenciado que é um contaminante?

Com estas atitudes nunca poderemos ser um país desenvolvido pois a educação e o civismo estão na base de tudo.
Tenho vindo a defender a uniformização do sistema de reco-lha com a distribuição de sacos, pelos municípios, pelas empresas municipais de resíduos ou pelos serviços municipalizados de resíduos, de diferentes volumes e cores, os únicos a serem aceites para recolha, sendo o preço pago em função do volume dos sacos adquiridos.

Os sacos dos indiferenciados seriam os únicos aceites para recolha nos locais próprios, devidamente sinalizados, com uma base de betão e “garfos” para colocação dos sacos e os de cores seriam depositados nos ecopontos.
Tudo isto teria de ser regulamentado e fiscalizado, pois, infelizmente, em Portugal, só a fiscalização pode fazer com que os prevaricadores sejam erradicados.

Normalmente, diz-se que os grandes culpados do que está mal no nosso país são os outros, mas por vezes acabamos a fazer igual! Toda a gente sabe exigir os seus direitos mas esquece muitas vezes os seus deveres.
Há uma frase que diz “Se cada um varresse a frente da sua casa, o Mundo seria mais limpo!”
Ajude-nos, ajudando-se!

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