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Assim vai o meu país

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Ideias

2014-02-21 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Eu podia falar de muitas coisas. Podia falar dos impostos selvagens, podia falar do abaixamento dos salários e pensões, do incentivo à emigração dos mais jovens e qualificados, do serviço nacional de saúde em vias de rutura, podia falar ainda da degradação do sistema de educação e investigação; tudo políticas que estão a transformar os portugueses num bando de indigentes, já que este governo está em vias de destruir a classe média.
Mas será isto reforma do Estado? Manifestamente não. O Estado está cada vez mais autoritário e centralizador, presa dos grandes grupos de interesses, articulados por uma nova classe política constituída por gente sem formação, saída das creches partidárias, obediente e sem escrúpulos.
Mas mudou alguma coisa? Mudar mudou. Mudou o país ajustado à pobreza, à apatia e à falta de esperança. Mas um país não pode viver assim por muito mais tempo. Mas não deste país ajustado, lavadinho , cumpridor , pobrezinho ,mas honrado que quero falar.
Convenhamos que o Primeiro- Ministro foi hábil. Estava tudo no seu livro antes das eleições de 2011 e só se deixou enganar quem quis. O que fez posteriormente foi usar o memorando assinado com a Troika e culpar os socialistas de tudo o que não corresse bem. Esta narrativa é contraditada pelo seu adorado ministro das finanças que fala duma crise financeira crónica do Estado português; e que a atual crise é o resultado da crise de 2008 e das circunstâncias da adesão ao euro. Durante dez anos Portugal usufruiu dos benefícios da adesão, designadamente crédito fácil e barato, esquecendo-se dos custos e da disciplina orçamental que a nova moeda exigia.
E não me venham com a propaganda dos indicadores macroeconómicos. A pobreza está para ficar, já que segundo o Primeiro-Ministro ”o país finalmente está a viver segundo as suas possibilidades“ .
A indigência desta classe política está manifesta em três ou quatro episódios. O primeiro o referendo duma medida de política previamente discutida e consciencializada. Tratou-se dum golpe de teatro que descredibiliza os deputados que apoiaram. Mas os cidadãos ficaram ainda mais boquiabertos com a proposta da Presidente da Assembleia de concessionar as comemorações do 25 de Abril. A senhora não se vê ao espelho , ou então repete a história:” espelho meu, espelho meu não há mais bonita do que eu!”. A fúria das privatizações é tal que qualquer dia vendem o país por atacado, como pretendem com os quadros do Miró. Não sei se os quadros têm valor artístico, se expostos podiam dar dinheiro, se é oportuno serem vendidos. Mas o que eu sei é que qualquer iletrado sabe que vender por atacado 85 quadros do mesmo pintor é vendê-los a preço de saldo. Para quem tanto fala em mercados é ignorância crassa desconhecer a lei da oferta e da procura. Torna-se legítimo perguntar quem vai ganhar com esta venda, já que não acredito que a ignorância seja tanta?
Mas não bastava o atoleiro do governo. A última do Secretário Geral do Partido Socialista é de fugir : a criação duma jurisdição especial para os investidores estrangeiros . O homem não sabe História. Desconhece a dupla jurisdição dos territórios coloniais e a jurisdição especial das feitorias. Sei que é boa pessoa. Admito que seja ignorante, mas onde está a comissão política e os assessores? São farinha do mesmo saco.

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