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As zonas rurais, os desafios do presente para preparar o futuro

Tão só curiosidades

As zonas rurais, os desafios do presente para preparar o futuro

Ensino

2020-01-29 às 06h00

António Martins Bonito António Martins Bonito

Todos sabemos que as zonas rurais têm uma forte representatividade territorial e que são confrontadas com um continuo decréscimo da população aí residente. Podemos ainda associar, à maioria dessa população, um baixo nível de escolaridade, um elevado índice de envelhecimento e um nível de rendimento inferior à média quer nacional quer europeia.
No entanto essa população, exerce e tem uma função extraordinariamente importante que é a de desenvolver uma atividade multifuncional nesses territórios, sistematicamente apelidados de “Interior”. Essa atividade multifuncional, pode ser caraterizada pela produção de bens transacionáveis, pela geração de valor acrescentado ao nível da transformação desses produtos ou bens, pela criação de emprego, e que nos últimos anos tem assumido uma vocação exportadora. Também e não menos importante, tem a proteção e gestão de recursos naturais, a gestão do território e a de criar melhores condições de vida nesse mesmo meio rural.

Contudo esta zonas, apresentam fragilidades estruturais. Nomeadamente a redução dos solos com função produtiva agrícola, uma elevada expressão do número de explorações de muita pequena dimensão económica e pulverização dessas mesmas explorações, uma idade elevada dos produtores agrícolas em paralelo com uma reduzida proporção de jovens agricultores, associada a um défice ao nível da formação escolar, onde ainda há um reduzido grau de inovação e uma fraca organização e promoção das produções e territórios.
Felizmente, podemos apontar para a existência de uma dinâmica económica associada a estes territórios, com o aparecimento de áreas agrícolas com especialização produtiva, alterações técnicas e culturais, que conduzem a um significativo aumento da produtividade agrícola, explorações com orientação para o mercado externo, crescimento das exportações e uma tenaz capacidade para contrariar a crise nomeadamente ao nível quer do crescimento do produto quer do rendimento.

Quando nos aproximamos da discussão de um novo período de programação, é imperativo estabelecer uma estratégia setorial, onde a mesma deverá ser abordada sobre uma ótica de oportunidades, desafios e desígnios regionais e nacionais.
Assim, no campo das oportunidades, elas deverão passar pela consolidação do contributo para o crescimento económico nacional e da sustentabilidade dos territórios, bem como da criação de riqueza através do reforço da competitividade das empresas produtoras de bens transacionáveis e da sua capacidade de penetração nos mercados e da sua ligação ao meio académico.

O desafio prende-se ao nível do alargamento a todo o território nacional, do atual dinamismo e ritmo de crescimento que o setor tem vindo a apresentar nalgumas regiões, assim como a capacidade de gerar valor acrescentado no setor de forma sustentável e duradora e por ultimo a criação de condições de contexto necessárias para uma boa operacionalização dos instrumentos e utilização eficaz dos recursos disponíveis.
Em termos de objetivos, estes deverão passar, por um crescimento do setor agroflorestal em todo o território nacional, com o aumento do valor acrescentado do setor e o equilíbrio da balança comercial, uma gestão eficiente e uma proteção dos recursos naturais de uma forma sustentável e a dinamização quer económica quer social do espaço rural.

Para isso será importante aumentar e reforçar a capacidade de inovação e transferência de conhecimento para o setor, promover uma melhoria do nível de capacitação e de aconselhamento dos produtores, nomeadamente ao nível da gestão, aumentar e concentrar a oferta e a promoção dos nossos produtos. Por ultimo e a chave para o sucesso, a fixação das populações nessas zonas.

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