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As voltas que a vida dá

Mercados, salários e outras coisas

As voltas que a vida dá

Voz aos Escritores

2022-12-02 às 06h00

Fernanda Santos Fernanda Santos

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para[…]

Canção de Lenine

O tempo não para, e a vida vai dando voltas e voltas, entretanto.
É nesse vai e vem que a vida da freira italiana Cristina Scuccia muda radicalmente. Com trinta e quatro anos, deixou para trás a vida religiosa, para se poder dedicar à música. Tendo rumado até Espanha, onde arranjou trabalho como empregada de mesa, em vez do típico hábito, surge agora com um vestido vermelho, sem óculos e com um piercing no nariz.
As voltas que a vida dá podem servir de lição para nos lembrar que nada é eterno, como a canção de Dealema: Nada dura para sempre/Nem os frutos nem as sementes/Nada dura eternamente/ Somos como estrelas cadentes […].
Podemos, então, dizer que as estrelas por quem nos apaixonamos têm, salvo raras exceções, vidas muito mais curtas. Vejamos o caso de Cristiano Ronaldo. Com apenas trinta e sete anos, já o consideramos “velho” para exercer a sua profissão de jogador de futebol, apesar de continuar a deixar o mundo do futebol boquiaberto quando resolve ganhar asas e voar. O seu talento é enorme! A sua garra e determinação nos relvados fazem dele uma figura ímpar, difícil ou quase impossível de igualar. Mesmo assim, foi julgado, criticado e desrespeitado por muitos. Memórias pobres as de alguns. Esqueceram-se esses muitos toda a história que trouxe Cristiano Ronaldo ao merecido lugar que conquistou e, também, na vida de muitos a quem ajudou e não foi notícia. Não será ele um ser humano imperfeito na sua perfeição? Uma coisa parece estar certa, é alguém com o coração no sítio certo e o universo conspira sempre a favor desta escolha. Sim, ter o coração no sítio certo é uma escolha, não uma habilidade. Assim, não podemos negar o óbvio. Ronaldo é um predestinado e contra factos não há argumentos. Não é uma figura consensual, tem defeitos e qualidades como todos nós, mas o seu profissionalismo é intocável Ronaldo é a marca portuguesa mais conhecida nos quatro cantos do mundo, motivo de orgulho para todos nós. Conscientes de que nada dura para sempre, tal como ele, façamos o nosso melhor hoje.
Para além disso, sabemos que o mundo do trabalho está sempre a adaptar-se aos novos tempos. Os avanços tecnológicos implicam mudanças nas profissões. Não podemos ignorar que algumas funções dos profissionais são substituídas por máquinas, que fazem as coisas mais rapidamente e com mais precisão. Assim, com o passar do tempo, muitas profissões foram extintas. Atualmente, estas profissões não passam de meras lembranças. Algumas delas até são muito curiosas e interessantes.
Registo, com um sorriso nos lábios, a profissão de leitor de fábrica. De todas as extintas, é aquela que mais me seduz, pelo encantamento que a própria imagem me provoca. Certamente que para quem a vivenciou o sentimento será mais de nostalgia, pela lembrança de alegrias passadas.
Parece incrível, mas era um cargo comum em grandes e pequenas fábricas, haver pessoas para ler jornais, revistas, ou mesmo livros inteiros ao longo do dia de trabalho, como forma de fornecer melhores condições de trabalho, aliviando o tédio das atividades repetitivas a que os funcionários estavam destinados. A atividade começou a popularizar-se no início do século XX, embora já houvesse registo desse tipo de função na Inglaterra em meados do século XIX.
Os profissionais eram colocados numa altura acima dos demais, para que sua voz se sobrepusesse.
Normalmente o leitor profissional era contratado não pelo dono da indústria, mas pelos operários. Eram os próprios que pagavam o salário do leitor, que podia ser um deles.
Muitos decidiram mesmo aprender a ler e a escrever, motivados pelas leituras dos colegas. Desta forma, foram considerados a classe operária mais culta e informada na época. Compay Segundo, conhecido clarinetista e guitarrista cubano, que foi um desses operários, afirmava ter tido a melhor profissão do mundo: a única em que era possível ler enquanto trabalhava.
As voltas que a vida dá!

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