Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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As tremedeiras

Não há desculpas

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Conta o Leitor

2022-07-27 às 06h00

Leitor Leitor

Texto Carlos Barros

A Motora Chiquinha, do Mestre Manuel Reis, estava na sua faina piscatória, a 3 milhas da terra e levava consigo tripulantes experientes, como o Zé da Lurdes e outros jo- vens pescadores, Armindo do Rosário, conhecido na gíria da ribeira por Murraca, e Santos Coutinho, entre outros.
O Mesquita, como pescador inexperiente, fazia parte dessa tripulação nessa motora, e era conhecido por “preto” e mal conseguia identificar ou distinguir um sargo de uma choupa, uma cavala de uma sarda...
O Zé da Lurdes, pescador astuto mas manhoso, mandou “preto” alar as rascas para “safar” as tremedeiras sob o olhar sorridente e cúmplice do Santos e do Armindo!
A primeira tremedeira que apareceu, o ”preto” agarrou-a, com toda a força, para a “safar” e, como era de esperar, apanhou um grande “choque” e ficou branco como a cal!
Ai, minha mãe, que quase morria, choramingou o “preto” perante uma risota do Zé da Lurdes que se agarrava à barriga de tanto se rir…
O ”preto” olhou para o Armindo e para o Santos, “espumando” pelos cantos da boca, em sinal de revolta e perguntou-lhes:
Vocês não sabiam que estas tremedeiras davam choque?
Nós não, “preto”, nunca vi destes peixes porque só existem no Algarve, respondeu ardilosamente o Santos tentando evitar a investida do Mesquita.
O “preto” irritado, foi em direção ao Zé da Lurdes com o bicheiro, em punho e se não fosse a intervenção do respeitável Manuel Reis, haveria “molho” pela certa…
O Manuel Reis, reuniu a tripulação e “ordenou” que todos teriam de “safar” as tremedeiras, menos o “preto” que ainda tremia do tremendo choque que tinha levado de uma enorme tremedeira.
O pescado foi todo ”safo” pelas mãos experientes da restante tripulação e já a chegar ao cais , perto da salva-vidas, o preto perguntou:
- Ninguém levou choques?
E todos responderam:
- As tremedeiras só dão choque aos pretos e não aos brancos!...
O silenciou espraiou-se pelo convés e todos mergulharam num burburinho suspeito…
A motora Chiquinha lançou as amarras no cais, descarregou o pescado e as tremedeiras foram lançadas pela borda fora, já que ninguém as queria, apenas eram apreciadas pelos caranguejos do rio Cávado, que não se faziam rogados...

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