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Braga, sexta-feira

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As ruas de Braga há 100 anos

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2012-09-10 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

A requalificação que se está a fazer nas principais ruas e praças de Braga, e que em breve estará terminada, tem motivado alguns comentários e até tomadas de posição. Como em quase todos os aspectos da nossa vida ou da nossa sociedade, existem aqueles que concordam e aqueles que discordam daquilo que está a ser feito.

Não devo aqui, e neste contexto, tomar partido por uma ou outra posição. Quero apenas transmitir uma pequena ideia de como estavam as principais ruas e artérias de Braga, há exactamente cem anos.

O ano de 1912 teve dois presidentes da Câmara Municipal de Braga (Comissão Administrativa Municipal de Braga). O primeiro foi o célebre Domingos Leite Pereira (que foi Presidente do município de Braga, Deputado, várias vezes Ministro e três vezes Primeiro-Ministro), e o segundo foi o major Albano Justino Lopes Gonçalves.

Para fazermos um pequeno exercício de comparação, há cem anos ainda era frequente as pessoas varrerem o lixo das suas casas para as portas; prenderem os cavalos junto à entrada das casas e lançarem águas domésticas para a rua, usando o célebre grito “água vai!”. Toda esta situação originava constantes doenças, até epidemias, que provocavam um considerável aumento do número de mortos, em determinadas épocas do ano.

Nos arredores da cidade existiam, inclusive, zonas onde as pessoas davam de comer a grandes manadas de porcos, colocando gamelas e pias em frente às suas habitações.

Da Câmara Municipal saiam constantes “códigos de posturas”, nos quais aconselhavam as pessoas a adoptarem a higiene e a limpeza das casas. Também os produtores de alimentos eram alertados para adoptarem actos de higiene, como por exemplo o que foi aprovado na reunião da Câmara Municipal de Braga, de 22 de Agosto de 1912, no qual foi proibido vender leite em vasilhas ou medidas que não estejam em “rigoroso estado d’aceio”. Também os vendedores devem comercializar o leite, apresentando-se com as mãos devidamente limpas e não devem ser portadores de doenças infecto-contagiosas. (1)

As ruas do centro histórico de Braga também se encontravam num estado de degradação avançado. O jornal “Echos do Minho” (2) informava que é “verdadeiramente lastimável o estado em que se encontram as ruas d’esta cidade, que se ufana de ser considerada a terceira capital do paiz, pelas belezas e encantos que a exornam”.

Este jornal exemplificava mesmo que uma das principais artérias da cidade, a que liga a estação dos caminhos-de-ferro à Avenida Central, encontrava-se de tal forma degradada que fazia “corar de vergonha, os verdadeiros amigos da sua terra, perante os estrangeiros e nacionais que nos visitam”.

A própria rua do Souto, que era (e continua a ser) a principal rua de Braga, estava também muito danificada. Nessa rua, em muitas zonas não havia calçada e noutras a calçada estava partida. Como consequência, encontravam-se nesta rua enormes quantidades de terra que, no Verão, provocavam enormes ondas de poeira, e no Inverno um autêntico lamaçal. Os próprios comerciantes evitavam colocar as suas mercadorias expostas na rua (na altura era habitual), porque estas degradavam-se com o estado de destruição que a mesma apresentava. Segundo o jornal acima referido, na rua do Souto existiam as “boccas de lobo intupidas e as valetas cheias de detrictos”, demonstrando a quem visitava Braga o estado de degradação da sua cidade.

Outro local do centro da cidade, e que se encontrava muito degradado, era o largo de S. João do Souto. Principalmente nos invernos, “quasi se torna necessário um barco para o atravessar”. (2)

Poderia aqui apresentar outros exemplos de ruas e largos, do centro de Braga, e que se encontravam num adiantado estado de degradação. Contudo, esta explanação não se torna possível neste espaço.

Creio ser útil fazer a comparação da situação em que se encontrava a cidade de Braga há cem anos, com a situação que apresenta na actualidade, precisamente pela renovação urbanística a que está a ser sujeita.

Uma última referência: o coreto que se encontra no Parque de S. João da Ponte, foi construído e inaugurado há exactamente cem anos (S. João de 1912), e só foi possível com os donativos de alguns benfeitores, dos quais se destacou Júlio António de Amorim Lima.

1) - Gomes, Joaquim da Silva, 2006,“Galeria dos Presidentes da Câmara Municipal de Braga - 1836-2006) ”;
2) - de 4 de Abril de 1912.

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