Correio do Minho

Braga, quinta-feira

As prioridades no burgo

‘O que a Europa faz por si’

Ideias Políticas

2015-02-03 às 06h00

Francisco Mota

Hoje decidi escrever sobre algo que me é bastante caro, as prioridades de quem ocupa os lugares de gestão pública. Para isso decidi transcrever um texto que li há poucos dias e que nos ajuda reflectir sobre esta matéria.

Um consultor, especialista de gestão do tempo, quis surpreender a plateia durante uma conferência. Tirou debaixo da mesa um frasco grande, de boca larga. Colocou-o sobre a mesa, ao lado de uma pilha de pedras do tamanho de um punho, e perguntou: - Quantas pedras acham que cabem no frasco? Após alguns números atirados, começou a colocar as pedras, até encher o frasco. Perguntou, então: - Está cheio? Todos olharam para o frasco e disseram que sim. Em seguida, ele tirou um saco com pedrinhas mais pequenas debaixo da mesa. Colocou parte dentro do frasco e agitou-o. As pedrinhas foram preenchendo os espaços entre as pedras grandes.

O consultor sorriu, com ironia, repetiu: - Está cheio? Desta vez os ouvintes duvidaram: - Talvez não… - Muito bem! Exclamou o consultor, pousando sobre a mesa um saco com areia, que começou a despejar no frasco. A areia infiltrava-se nos pequenos buracos deixados pelas pedras e pelas pedrinhas. - Está cheio? - perguntou de novo. Não! - exclamaram os ouvintes. Pegou, então, num jarro de água e começou a deitar dentro do frasco, que absorvia a água, sem transbordar.

Deu por encerrada a experiência e perguntou: - Bom, o que acabamos de demonstrar? Um participante respondeu: - Que não importa o tempo que temos ocupados; se quisermos, teremos sempre tempo para mais qualquer coisa. - Não! - concluiu o especialista - O que esta lição nos ensina é que, se não colocarmos as pedras grandes primeiro, nunca seremos capazes de coloca-las depois. E quais são as grandes pedras nas nossas vidas? O resto, não passa disso mesmo, é resto e encontrará o seu lugar.

Pois aquilo que nos deve questionar é quais são as grandes pedras de quem ocupa um lugar público e de que forma devem ser colocadas nas suas vidas.
A Humildade deve ser o maior instrumento de gestão; o ouvir, planear e projectar com todos faz com que acção pública seja reconhecida e traga ganhos significativos para as nossas populações.
A dedicação é o limite para quem está desta forma na vida; uma entrega desprendida em que o cargo que ocupa não é sinónimo de estatuto mas sim de responsabilidade.

As pessoas que no elegeram e que confiaram em nós devem ser a principal prioridade; o uso do dever que os cidadãos nos confiaram tem que ser usado na defesa e representatividade deles próprios e nunca como trampolim pessoal.
A tranquilidade e a serenidade é o que deve identificar o gestor público: pois de outra forma não se trata de um político mas sim de um técnico no lugar de um político, aonde a responsabilidade nunca será apurada e facilmente arrepia caminho entre os pingos da chuva.

Não menos importante, o reconhecimento como mecanismo de trabalho; organizações, instituições, associações e autarcas merecem do nomeado político ou do político a maior tolerância e capacidade de diálogo, pois somos nós que nos temos que adaptar a eles e não o contrário.

A consciência sobre o que somos capazes deve ser a maior lucidez em quem tem que decidir; ninguém é apto de fazer tudo e estar em todo o lado, a vontade de querer tocar vários instrumentos ao mesmo tempo apenas significa que as prioridades estão mal definidas e que as pedras grandes estão a ser substituídas pelas pedrinhas e areias da nossa história.

Mas existe alguém que caminhe em sentido contrario na nossa Bracara? Fica a pergunta para cada um de nós e um pensamento para a nossa conclusão: “Se estás num lugar que gostarias de estar devias de reflectir, porque se queres algo que nunca tiveste primeiro terás de fazer algo que nunca fizeste antes”.

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