Correio do Minho

Braga, terça-feira

As mulheres na Europa trabalham 59 dias de graça por ano

Obrigado, Pedro Passos Coelho

Ideias

2015-11-05 às 06h00

Aires Soares

Na União Europeia, a partir de 2 de novembro, as mulheres deixam (metaforicamente) de ser pagas, enquanto os homens continuam a ganhar dinheiro até ao último dia do ano. Esta é uma ilustração clara da diferença média salarial que ainda subsiste na União Europeia.
O salário médio por hora para as mulheres europeias é 16,3% mais baixo do que para os homens, para trabalho de igual valor. Esta diferença pode ser traduzida em dias, o que significaria que as mulheres trabalham 59 dias (praticamente 2 meses) de graça a cada ano. Em termos práticos, as mulheres ganham apenas 84 cêntimos de euro por cada euro ganho pelos homens. Em Portugal, a disparidade salarial média entre homens e mulheres situa-se em 13%. Embora longe do ideal, está abaixo da média da União Europeia.
A igualdade entre homens e mulheres é um dos valores fundamentais da União Europeia. A Comissão Europeia marca o dia 2 de Novembro como o Dia para a Igualdade de Salário (Equal Pay) para lembrar-nos que, no entanto, não é uma realidade fundamental. É uma oportunidade para se falar mais e se fazer mais sobre o tema.
A disparidade salarial entre homens e mulheres é uma situação injusta, injustificada e inaceitável. Ainda pior é que tende a acumular-se ao longo da carreira de uma mulher e resulta num aumento da diferença ao longo da sua vida: as pensões das mulheres são, na média da UE, 39% inferiores às dos homens.
Essa disparidade salarial reflete vários tipos de desvantagens e discriminações com que as mulheres são ainda confrontadas. As mulheres têm normalmente uma taxa de desemprego maior, são ainda quem dedica mais horas do dia a tarefas não remuneradas e quem faz mais e maiores pausas na sua carreira para ter filhos ou cuidar de familiares. Isto faz com que, não só ganham menos à hora, como têm menos oportunidades de promoções e contribuem menos tempo para a sua reforma. Para além disto, é visível que ainda muito poucas chegam ao topo da hierarquia nas organizações: nem 4% dos CEOs de empresas de topo são mulheres. Tudo isto contradiz outro dado: hoje, cerca de 60% dos licenciados europeus são mulheres.
Os resultados de uma consulta pública sobre o tema mostram claramente que os europeus vêem a desigualdade salarial entre géneros como a diferença entre géneros que necessita de uma solução mais urgente.
Por seu lado, existem leis europeias em vigor que promovem a igualdade de remuneração. Estas, contudo, não são aplicadas de forma absoluta nos Estados-Membros. A Comissão Europeia está a apoiar cada Estado-Membro, bem como as autoridades locais e outras partes interessadas para ajudá-los a mudar esta realidade e fazer a diferença.
Contudo, o progresso tem sido lento durante estes anos. Com o ritmo atual, a disparidade salarial entre géneros está em declínio tão lentamente que teremos de esperar mais 70 anos para alcançar a igualdade de remuneração - que não é uma geração, mas duas.
É preciso insistir. No Programa de Trabalho para 2016 da Comissão Europeia, existem medidas para lidar com este desafio. Por exemplo, o apoio a trabalhadores que são pais ou que cuidam de familiares dependentes para que possam melhor equilibrar família e carreira.
As disparidades salariais é assunto de todos e todos vão ganhar com a sua eliminação. É agora tempo de fechar essa diferença. É importante que cada cidadão, seja empregado ou empregador, contribua para fazer a diferença e deixar de aceitar e perpetuar esta situação.
Pode rever os seus direitos aqui: http://ec.europa.eu/justice/discrimination/files/rights_against_discrimination_web_en.pdf
Acompanhe o que a Comissão Europeia está a fazer para diminuir esta diferença salarial -
http://ec.europa.eu/justice/gender-equality/gender-pay-gap/index_en.htm - e para lutar contra a desigualdade de género - http://ec.europa.eu/justice/gender-equality/index_en.htm



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