Correio do Minho

Braga,

- +

As metáforas organizacionais

Onde está o meu peixe

As metáforas organizacionais

Voz às Escolas

2020-12-16 às 06h00

Paulo Antunes Paulo Antunes

As metáforas constituem um campo de análise fundamental para o conhecimento e compreensão da ação diretiva, na medida em que estas expressões linguísticas e simbólicas revelam o universo conceptual, as crenças e as práticas de quem as aplica. Mostram-nos o modo genuíno como se estruturam, organizam e relacionam os elementos chave no âmbito da realidade que pretendemos representar e expressar. Das diferentes metáforas existentes, no meu contexto profissional, ganham principal relevo as metáforas orgânica e política.
O uso da metáfora orgânica focaliza as organizações como as unidades chaves da análise. As organizações e os seus membros podem ser vistos como tendo diferentes conjuntos de “necessidades”, e examinando como as organizações podem desenvolver padrões de relacionamento que permitam que estas se adaptem ao ambiente. A comparação da organização a um organismo, conceito oriundo da biologia, pretende destacar o carácter dinâmico desta, uma vez que é submetida a mudanças constantes.
De outro modo, a metáfora política, centra-se basicamente nos processos de formulação política dentro da organização, que conduzem à definição de metas, além das estratégias para as alcançar e respetivos procedimentos. A metáfora política concebe a escola como uma organização de alianças de grupos de indivíduos e grupos de interesse que possuem diferentes metas, valores, crenças e perceções. Estes dois lados da barricada, coexistem aparentemente de forma pacífica (“paz armada”), nomeadamente quando os recursos são abundantes, no entanto, em casos de escassez de recursos, mobilizam-se e atuam de forma a influenciar as decisões.
Deste modo, a organização dividida em grupos de interesse, conduzirá à negociação com os outros de forma a influenciar os processos de tomada de decisão. Nesta perspetiva, as situações de conflito não são um sintoma de desagregação da organização, sendo considerados normais e necessários.
Neste contexto das metáforas, urge refletir sobre o conceito de autonomia, que surge frequentemente associado aos conceitos de descentralização e desconcentração. “A autonomia distingue-se da descentralização na medida em que envolve não apenas uma distribuição de atribuições e competências dentro de um sistema político ou administrativo, mas mais diretamente a capacidade de ação por parte dos titulares dessa distribuição” (Fernandes, 2005). Em Portugal, é com o ministro Roberto Carneiro, em 1989, que o conceito de autonomia das escolas surge com a publicação do D.L. no 43/89. Propunha-se a inversão da tradição de uma gestão demasiado centralizada e que a sua concretização assentava na elaboração de um projeto educativo próprio, constituído e executado de forma participada.
Tem sido uma autonomia muita ligeira, acentuando-se um centralismo burocrático de tudo controlar e de tudo (pré) autorizar. Os diretores passam a maior parte do tempo a prestar contas do que são obrigados a fazer. Aos diretores faltam recursos designadamente financeiros e humanos, quando deveria ocorrer uma efetiva transferência para as escolas, de competências e responsabilidades na educação e gestão escolar.
Na maioria dos países, a autonomia das escolas é vista, em grande medida, como uma ferramenta a ser usada para melhorar a qualidade da educação. A autonomia contribuirá assim para uma melhoria sustentada e progressiva do serviço educativo prestado, traduzida, também, na melhoria dos resultados escolares.
E para onde caminha a autonomia das escolas em Portugal?

Deixa o teu comentário

Últimas Voz às Escolas

28 Junho 2021

Renascer

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho