Correio do Minho

Braga, terça-feira

As ‘Raríssimas’ são raras mas não são muito raríssimas!

Obrigado, Pedro Passos Coelho

Ideias

2017-12-21 às 06h00

José Manuel Fernandes

As instituições particulares e de solidariedade social (IPSS), incluindo misericórdias, centros sociais, associações e outras coletividades, fazem um trabalho notável em Portugal, contribuindo para a inclusão e a coesão social, económica e territorial. A maior parte dos seus dirigentes faz voluntariado de forma anónima, contribuindo financeiramente para além do tempo pessoal que disponibilizam gratuitamente.
Uma sociedade forte e moderna não pode depender unicamente do Estado para ajudar os mais pobres e trabalhar para a inclusão. Trata-se de ajudar efetivamente o próximo. Fazer a solidariedade com ações concretas. Já o disse muitas vezes: quanto é que custaria ao orçamento de Estado o fim das IPSS e das misericórdias? Não tenho dúvidas que, sem elas, teríamos menos qualidade nos serviços e um custo superior suportado pelos nossos impostos.

Reconheço, valorizo e destaco o trabalho desenvolvido na área social por Cooperativas, Mutualidades, Misericórdias, Fundações e Associações, Organizações Não-Governamentais e demais IPSS.
Note-se que as mais de 55 mil instituições portuguesas da área social contribuem para 2,8% do Valor Acrescentado Bruto - superior a setores de atividade de produção e distribuição de eletricidade, gás ou telecomunicações - e são responsáveis por 5,5% do emprego remunerado com mais de 226 mil postos de trabalho. Em muitos concelhos são o maior empregador!

A Raríssimas, também ela, tem um propósito louvável: ajudar as pessoas - na maioria jovens e crianças - que têm doenças raras e apoiar as respetivas famílias. Lembro que em Portugal há cerca de 600 mil pessoas com doenças raras e que cerca de metade são diagnosticadas a crianças. Não podemos abandonar estas pessoas! Não podemos confundir as insti- tuições com os seus dirigentes, nem confundir a árvore com a floresta. Não tenho dúvida que a esmagadora maioria dos dirigentes destas instituições são sérios! A existência de corrupção, abuso de poder, favorecimento pessoal são exceções. Os utentes da Raríssimas não podem ser penalizados por uma alegada gestão danosa! Não são eles os culpados!

A fiscalização cabe, desde logo, aos órgãos sociais das instituições e aos sócios, ou irmãos no caso das Misericórdias. A este nível, há um ‘deixa andar’, um certo alheamento e, muitas vezes, uma confiança excessiva. As ações inspetivas por parte do governo deveriam assumir, primeiramente, um caráter pedagógico. A investigação cabe, obviamente, ao poder judicial e às polícias.
Convém prevenir. Sou a favor da limitação de mandatos nos cargos políticos e associativos.

Admito que em alguns casos se perdia a força de líderes ímpares, mas no somatório Portugal ganhava. O excesso de tempo num cargo leva a que alguns, felizmente poucos, se considerem os donos da instituição, manchando o bom trabalho dos outros. Todos conhecemos uma ou outra instituição onde o ‘líder’ emprega toda a família, faz negócios com a mesma família, endivida a instituição sem que ‘ninguém’ note. Devíamos ser mais exigentes e vigilantes para melhor defendermos as instituições e a enorme maioria dos dirigentes, porque, afinal, as “Raríssimas” são raras mas não são muito raríssimas!

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