Correio do Minho

Braga, terça-feira

As implicações do ‘ficar de castigo’

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Escreve quem sabe

2013-06-02 às 06h00

Joana Silva

As crianças devem ser vistas como crianças que são, e não como pequenos adultos por isso não é de esperar, até porque “ninguém nasce ensinado” que desde cedo tenham os comportamentos esperados que os pais tanto desejam , ou seja, o menino bem comportado que não faz birras nem traquinices. Ao longo do dia, em qualquer espaço publico, assistimos a variadas situações em que os pais tentam impor regras chamando a atenção aos filhos “ Comporta-te!”, “Está quieto, não mexas aí”, “Quantas vezes já repeti que não podes estar nesse sitio!”.

São estas “chamadas de atenção” que frequentemente resvalam para berros, advertências e castigos, por vezes, não irreflectidos. Relativamente ao último aspecto, castigo irreflectido, podemos tomar como análise as seguintes situações “Não queres comer o peixe com legumes, vais ficar então, uma semana sem computador.” Ou “Não fizeste os trabalhos de casa, ficas um mês sem veres televisão”. Estes castigos, na verdade nunca terminam no tempo estipulado, por norma são “retirados” antes do previsto.

O castigo tem como finalidade mostrar as consequências de quando as regras não são cumpridas e, para tal, não devem ser nunca muito extensos no tempo, para “não cair na tentação de perdoar” antes do esperado. Os castigos devem sempre estar relacionados com a situação especifica em causa. Voltando a um dos exemplos anteriormente referidos, o mais correcto e acertado seria “ Não fizeste os trabalhos de casa, pois bem farás então mais um exercícios adicionais para além dos trabalhos de casa de hoje e de ontem.”

É comum atribuírem como “destino do castigo” o quarto. Desta simples acção podem advir outros problemas como consequência directa, pois a criança pode simplesmente começar a percepcionar o quarto como “um lugar nada positivo” e deixar de querer lá estar seja para brincar ou dormir.Um outro aspecto a ter em atenção, diz respeito à discordância dos pais relativamente ao castigo. Mesmo que se discorde, deve-se evitar fazer algum comentário ou emitir opinião em frente à criança.

Por ultimo, as agressões físicas ou psicológicas também não “corrigem comportamentos”, muito pelo contrário, contribuem para estados emocionais de tristeza e mágoa a curto ou longo prazo. Certamente já ouviu dizer na sabedoria popular que as palavras doem mais que uma agressão física. Tem a sua razão, pois muitas vezes e não é tão raro assim de acontecer, os pais chegam a casa, após um longo dia de trabalho, cansados e pouco tolerantes. É necessário sempre prudência nas palavras a fim de evitar expressões. “Só me dás trabalho, para quê que nasceste!” ou “Não gosto de ti”.

São palavras irreflectidas que causam dor emocional e que se não forem “corrigidas” podem ter repercussões na auto estima com efeitos imediatos ou até na adolescência (rupturas irreparáveis devido a relações conflituosas na infância). Neste sentido, é importante explicar ou clarificar que o que não se gosta é de alguns comportamentos mas que da criança se gosta muito.
Não é tarefa fácil educar, mas advertir deve ser manifestamente uma acção construtiva e nunca destrutiva.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.