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Braga, sábado

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As eleições de 4 de Outubro

O Movimento Escutista Mundial (IV)

Ideias

2015-09-04 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Sem crónicas durante dois meses, acumularam-se os temas, mas não posso deixar de reflectir sobre as próximas eleições. Aprendi há muitos anos nas aulas de Ciência Política que os eleitores são racionais e que votam com o seu bolso. Ora, dentro desta lógica, as eleições deveriam ser ganhas pelos partidos da oposição, logo pelo Partido Socialista. Mas as sondagens não são tão concludentes assim Parece que a coligação do governo aspira a ganhar as eleições.

É certo que a racionalidade eleitoral é uma racionalidade limitada, já que há que ter em conta as fidelidades partidárias a pertença a uma comunidade e a um dado estrato social e o papel do marketing eleitoral. E, neste ponto a coligação adotou uma estratégia simplista e mistificadora. Dizem que no primeiro mandato pediram sacrifícios, tendo que impor austeridade, contra a sua vontade, mas teve que ser porque os portugueses estavam a viver acima das suas posses.

O país tinha excesso de despesismo e havia que fazer sacrifícios para pagar os erros anteriores. Mas agora com a economia a crescer, o desemprego a diminuir, o futuro será risonho e o segundo mandato trará a felicidade para todos Pura mistificação porque se o desemprego diminuiu, o emprego também diminuiu e porque o direito ao trabalho foi substituído por relações de trabalho do capitalismo selvagem, os salários baixaram e as garantias de diminuíram drasticamente e o país só cresceu aparentemente porque o euro baixou em relação ao dólar e os custos do trabalho baixaram. Hoje temos um país de pedintes, uma classe média em desagregação e ricos cada vez mais ricos. É este o ajustamento de que tanto falam.

É uma estratégia antiga, quase tão antiga como a humanidade. As religiões, a quando do processo de conversão, começam por tratar os convertido como pecadores e responsáveis por todos os males Numa segunda fase, e depois de interiorizarem os seus pecados e expiarem as suas culpas, prometem o céu.

As pessoas absorvem este discurso porque corresponde a uma forma de pensar ancestral Rejeito este primarismo, tanto mais que corresponde a uma ideologia neoliberal que procura “repor as coisas no seu lugar”, o que significa um desprezo pelas pessoas comuns, um discurso embrulhado em sentido de Estado. Como diz alguém, trata-se dum discurso Salazarento, mas que aplicado à cultura portuguesa tem resultado ao longo da história. E o que tem feito a oposição, designadamente o Partido Socialista?

Depois da apresentação das linhas de política macroeconómica que apontavam para uma abordagem diferente e alternativa, perdeu a iniciativa. A coligação retomou a agenda política e quando as coisas parecem não funcionar e o PS se distancia nas sondagens aponta o espantalho de Sócrates e do último governo socialista, como se o antigo primeiro ministro fosse o responsável pela crise financeira internacional. Terá feito erros, mas trata-se de mera propaganda para amedrontar os eleitores, como se Sócrates fosse o demónio e eles os anjos.

Os eleitores desejam certezas, mesmo que estas signifiquem mediocridade e vida sem futuro e sem horizontes. A vida do Partido Socialista é deveras difícil devido ao fracasso da Grécia. A coligação insiste que não há alternativa às políticas do governo, já que a Grécia tentou e foi o que se viu. Pelo que segundo esta lógica, ao cidadão comum resta votar nos partidos da coligação porque representam a estabilidade, a certeza contra a insegurança e o risco E confiam que aconteça em Portugal o mesmo que aconteceu em Inglaterra com a vitória dos conservadores
E já que a alternativa dos partidos de extrema esquerda parece inviável na situação actual depois do que aconteceu na Grécia, gostava de ver no Partido Socialista outra dinâmica e não meras respostas miméticas às declarações do governo.

É irritante a mentira, a falsificação da realidade que o marketing do governo promove, ajudado, valha a verdade, pela comunicação social. A liderança socialista tem que deixar para os especialistas em Ciência Política e Economia a desmontagem das patranhas que os partidos da coligação querem vender ao eleitorado e façam política, dando esperança às pessoas.

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