Correio do Minho

Braga, sexta-feira

As crianças e o medo das “batas brancas”

Pecado Original

Escreve quem sabe

2011-11-20 às 06h00

Joana Silva

O medo é uma das nossas emoções primárias e geri-lo nem sempre é fácil, sobretudo na infância. Esta emoção tem por si uma carga negativa, no entanto, é também a que nos prepara para situações futuras. Definir o medo, é algo bastante complexo, todavia, poder-se-á dizer que este reflecte-se nas sensações e acções que o nosso corpo produz, dor de barriga”, chorar ou rir sem parar, batimento cardíaco acelerado, tremer, desmaiar, perder a voz, “ficar branco como a neve ” e “ o frio no estômago”. Não existe ninguém que já não tenha experienciado situações que lhe suscitaram sensações de desconforto, como por exemplo, ficar preso num elevador, medo de algum animal, dificuldade em ultrapassar algum obstáculo entre outros…porque obriga a enfrentar o perigo ou a fugir dele. É de realçar também que caso haja uma repetição dessa experiencia posteriormente a intensidade da emoção já não é mesma, isto porque houve uma adaptação e uma aprendizagem com a anterior experiencia.Até aos quatro anos de idade os principais medos das crianças cingem-se ao medo dos monstros, como por exemplo, “ vem aí o bicho papão” , que por vezes, é erradamente estimulado por alguns pais quando ao mau comportamento da criança. A partir dos seis anos e com o inicio da adolescência surgem os medos mais reais, como por exemplo o receio de que alguma coisa má que lhe aconteça ou família, ou situações mais especificas, como por exemplo, “ir ao medico”. Face a este ultimo aspecto mencionado, não são só as crianças que sentem medo, os adultos também, talvez porque nesse momento particular se encontram indefesos incapazes de agir e decidir por si próprios. Nos primeiros anos de vida as crianças dependem dos pais para crescer nos suportes da alimentação, cuidados e aprendizagem. Neste ultimo campo , o da aprendizagem convém reparar que esta não só engloba as regras e maneiras da boa educação bem como, a alfabetização escolar, engloba também os comportamentos culturais dos pais que são frequentemente apreendidos pelas crianças. Ora vejamos, se uma criança manifesta pânico, muita ansiedade quando na presença de um médico não significa que na sua base esteja necessariamente uma má experiencia. De facto, em alguns casos pode ter mas na sua maioria resulta de um comportamento adquiridos dos pais, isto é, também a eles lhes “perturba” o ambiente hospitalar ! Suponhamos esta situação, em que o pai ou a mãe requerem cuidados de saúde . estes até podem não verbalizar que estão com medo do que possa acontecer, mas o mau estar interior vai espelhar-se em reacções corporais incontidas tais como em tiques, mãos transpiradas que a criança automaticamente detecta. Actualmente há uma crescente preocupação por parte dos profissionais de saúde em desmistificar o “medo das batas brancas” , quer na abordagem terapêutica em contexto hospitalar ou nas iniciativas no exterior, quer no vestuário um pouco mais colorido e com alguns desenhos. É igualmente fundamental por parte dos pais alguns cuidados, nomeadamente fazer entender que “ ir ao médico” é sinónimo de “recuperação da saúde” e não algo negativo. Se porventura a criança chorar ou gritar pode sempre dar-se como exemplo de forma a tranquiliza-la que quando o pai ou a mãe estão doentes também recorrem ao médico para “se curarem”. A evitar a expressão “não sejas bebé” e desvalorização do que a criança está a sentir pois surte o efeito contrário ao que se pretende, pois torna-a mais ansiosa inquieta e triste. Por último, lembrar que qualquer criança espera sempre dos pais a protecção e a segurança de que necessita.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.