Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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As Bibliotecas em tempo de pandemia

Reflexões abertas à sociedade portuguesa

As Bibliotecas em tempo de pandemia

Voz às Bibliotecas

2020-04-02 às 06h00

Rui A. Faria Viana Rui A. Faria Viana

Confinados em casa devido à pandemia COVID -19, a adopção de medidas de incentivo à prática de teletrabalho levou muitos organismos, instituições e empresas a experienciar, a uma escala mais alargada no domicílio, o trabalho remoto em diferentes áreas. As bibliotecas, como organizações activas que são, procuraram de imediato organizar o seu trabalho por forma a manterem-se dinâmicas e em contacto com os seus utilizadores por meios alternativos, respondendo sempre que possível às suas necessidades. Se é certo que muitas das actividades das bibliotecas não se enquadram nesta forma remota de trabalho, outras há que se podem realizar sem qualquer problema. Assim, e a título de exemplo, podemos apontar algumas tarefas que podem ser desenvolvidas remotamente pelos profissionais das bibliotecas, muitas delas com base em recursos facilmente acessíveis através da internet:
- Teletrabalho ao nível da gestão e do tratamento técnico documental - revisão da base de dados de utilizadores / leitores; elaboração de estatísticas; preparação de relatórios e propostas de acção; gestão de projectos em execução; catalogação, classificação e indexação de documentos em linha com rápida disponibilização no webOPAC; revisão e correcção da base de autoridades; elaboração de índices bibliográficos; normalização de registos bibliográficos; controlo de erros e verificação de registos; digitalização e introdução das imagens das capas dos documentos no catálogo bibliográfico;
- Teletrabalho ao nível do apoio ao utilizador - processamento e difusão selectiva de informação; pesquisa e fornecimento de informação e documentação digitalizada através de meios electónicos;
- Teletrabalho ao nível da extensão cultural - divulgação de actividades de índole cultural através de plataformas informáticas e redes sociais (facebook e youtube) como exposições, edições digitalizadas, leituras encenadas, sugestões de leitura, etc.
Perante a actual situação de crise, com os edifícios encerrados e as pessoas em separação social, as bibliotecas públicas defrontam-se com novos desafios, adaptando-se à nova realidade e, em certos casos, reinventam-se. Para o constatarmos basta percorrer as páginas web ou das redes sociais de algumas para facilmente percebermos a vontade de se manterem em contacto permanente com os seus utilizadores. Em muitas delas o serviço de referência continua a funcionar, sobretudo através do contacto à distância, mostrando-se sempre disponíveis para fornecerem informação em resposta às solicitações recebidas. Outras realizam o empréstimo domiciliário em regime de “take away” com a entrega dos livros de uma forma inovadora pela biblioteca de acordo com o pedido de cada um, através do catálogo online, por telefone ou por e-mail, sendo devidamente acondicionados em embalagens de alumínio usadas habitualmente para comida e entregues na residência do utilizador cumprindo as medidas de protecção recomendadas. Outras, ainda, estão cada vez mais presentes nas redes sociais como o facebook ou em plataformas informáticas como o youtube para levarem aos seus utilizadores as actividades de animação e de extensão cultural que promovem.
Contudo, neste período de crise e distanciamento social também há outras coisas boas para ver em casa. Refira-se o aparecimento de um projecto muito interessante que se apresenta com vontade de continuar designado de “Histórias às Cores”, criado por Rosa Marques, animadora da equipa dos serviços educativos da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo. “Histórias às Cores” é um projecto inclusivo e sem fins lucrativos concebido em parceria com a “ColorADD” – Sistema de Identificação de Cores para Daltónicos, que encena e narra histórias infantis integrando nos pequenos cenários o respectivo Sistema de Identificação de Cores. Tendo como finalidade alertar e sensibilizar a população para a causa do daltonismo, a sua missão fundamental inscreve-se de uma forma evidente numa perspectiva de inclusão social e de prevenção de comportamentos de exclusão e de bullying. Todos os vídeos realizados podem ser visualizados no canal youtube que dispõe e, também, na rede social facebook das “Histórias às Cores” de forma a ser acessível ao público em geral e principalmente às crianças daltónicas para que possam desfrutar das histórias de uma forma mais completa.
Por isso, #FiqueEmCasa, pois, ainda encontra muitas coisas boas para ver!

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