Correio do Minho

Braga, sexta-feira

As Bibliotecas e os Estudos Locais

Amarelos há muitos...

Voz às Bibliotecas

2017-01-05 às 06h00

Rui A. Faria Viana

Muitas das nossas Bibliotecas Públicas assumem um papel relevante na promoção da cultura local através da divulgação da história, dos costumes e de outros aspectos de importância assinalável para uma comunidade e região. Por isso, em muitos casos, o serviço de edições é uma das valências associadas às bibliotecas e que estas desenvolvem para a comunidade. Também, não raras vezes, estão associadas a estes serviços, algumas publicações muito características que têm vindo a incentivar, a promover e a divulgar os estudos locais.

São vários os títulos que aqui poderíamos referir, no entanto, hoje, pretendemos falar dos Cadernos Vianenses como o resultado de uma publicação, surgida em Viana do Castelo, e que no passado mês de Dezembro, o serviço de edições da Biblioteca Pública acrescentaria a edição de mais um número.

Com o subtítulo de Notícia do passado e do presente da região de Viana do Castelo, surgia no final do ano de 1978 o primeiro tomo dos Cadernos Vianenses editado pela Câmara Municipal sob orientação de uma comissão presidida por António Dionísio Marques (vereador do pelouro da cultura), de que faziam parte Severino Costa, Maria Tereza Majer de Faria, Jaime Cepa Machado, Maria Augusta Eça d’Alpuim, J. Baptista Gonçalves da Silva, Maria Emília Sena de Vasconcelos, Rui Pinto e Matias de Barros.

Segundo Dionísio Marques, grande impulsionador dos Cadernos Vianenses, com esta nova publicação pretendia-se abordar assuntos relacionados com as gentes de Viana do Castelo, analisando-as sob o ponto de vista etnográfico e etnológico, somática e culturalmente, tratando de desvendar as suas possíveis etnias, entendidas estas como seus caracteres noológicos; relembrando e evocando o seu passado e, assim, estudando a sua história, quer no aspecto puramente antropológico, quer nas suas manifestações culturais, as mais diversas, desde a arqueologia, a passar pelo folclore, cerâmica, trajos típicos e artesanato e a terminar na pintura, poesia e, até, actividades desportivas./Desenterrar a cultura (no seu sentido mais amplo) das nossas gentes e da nossa terra nos seus mais variados aspectos, e dá-la a conhecer a todos, eis o objectivo dos CADERNOS VIANENSES (Tomo I, 1978). Genericamente, a promoção da cultura vianense assumia-se como objectivo primordial desta publicação camarária que se desejava ver continuada no futuro, como veio a acontecer.

Os tomos até agora publicados, com uma periodicidade irregular, variando entre semestral e anual, mantêm como característica comum a autoria da capa pertencente ao artista vianense Rui Pinto. Abarcando uma temática diversa, na sua grande maioria relacionada com a cidade e o concelho de Viana do Castelo, ressalta também a edição de alguns tomos com trabalhos sob um tema central e específico que, no seu conjunto, constituem, hoje, um valioso repositório de estudos sobre a região.

Entre 1978 e 2016 foram cinquenta os tomos publicados sendo de assinalar o carinho e a atenção que esta publicação tem merecido dos diferentes executivos municipais independentemente do seu caráter político-ideológico e até programático, imprimindo-lhes uma regularidade assinalável.
Com uma colaboração diversificada, de cerca de três centenas de autores, alguns dos quais já falecidos, os Cadernos constituem, hoje em dia, um repositório importante de saberes sobre Viana do Castelo e a região, e, a raridade de alguns dos tomos, torna hoje muito difícil reunir uma colecção completa, o que tem aguçado o interesse de alfarrabistas e coleccionadores, fazendo desta publicação um título merecedor de alguma atenção nos meios bibliófilos.

Com a edição do tomo 50, mantém-se a intenção de fazer com que esta publicação se aproxime dos objectivos para os quais foi criada, reflectindo-se nos seus conteúdos o tratamento de temas relacionados com a região de Viana do Castelo como, aliás, refere o complemento de título dos primeiros tomos, promovendo-se, assim, os estudos locais.

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