Correio do Minho

Braga, quarta-feira

As Bibliotecas e o Manifesto da Unesco (II)

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2018-05-31 às 06h00

Rui A. Faria Viana

OManifesto da Unesco para a Biblioteca Pública, cujo texto foi aprovado em 1994, como vimos na crónica anterior, apesar das ligeiras actualizações verificadas em 2009, é o documento fundamental e responsável por toda a política de orientação e organização das bibliotecas públicas, definindo em concreto e de forma objectiva a Missão destas instituições em todo o mundo. Este Manifesto proclama a confiança que a UNESCO deposita na Biblioteca Pública, enquanto força viva para a educação, a cultura e a informação, e como agente essencial para a promoção da paz e do bem-estar espiritual nas mentes dos homens e das mulheres, definindo a Biblioteca Pública como o centro local de informação, tornando prontamente acessíveis aos seus utilizadores o conhecimento e a informação de todos os géneros.
A Missão das bibliotecas públicas tem em atenção, essencialmente, quatro aspectos fundamentais, designadamente, a informação, a alfabetização, a educação e a cultura, defendendo a concretização dos seguintes princípios:
1. Criar e fortalecer os hábitos de leitura nas crianças, desde a primeira infância;
2. Apoiar a educação individual e a auto-formação, assim como a educação formal a todos os níveis;
3. Assegurar a cada pessoa os meios para evoluir de forma criativa;
4. Estimular a imaginação e criatividade das crianças e dos jovens;
5. Promover o conhecimento sobre a herança cultural, o apreço pelas artes e pelas realizações e inovações científicas;
6. Possibilitar o acesso a todas as formas de expressão cultural das artes do espectáculo;
7. Fomentar o diálogo inter-cultural e a diversidade cultural;
8. Apoiar a tradição oral;
9. Assegurar o acesso dos cidadãos a todos os tipos de informação da comunidade local;
10. Proporcionar serviços de informação adequados às empresas locais, associações e grupos de interesse;
11. Facilitar o desenvolvimento da capacidade de utilizar a informação e a informática;
12. Apoiar, participar e, se necessário, criar programas e actividades de alfabetização para os diferentes grupos etários.
O acesso ao conhecimento, à informação e à cultura, sem qualquer descriminação de idade, raça, sexo, religião, língua ou condição social, presente no Manifesto, implica naturalmente que a biblioteca pública seja da responsabilidade das autoridades locais e nacionais, e objecto de uma legislação específica e financiada pelos governos nacionais e locais.
No entanto, após o surgimento da terceira versão deste instrumento de trabalho para as bibliotecas públicas, atendendo ao desenvolvimento económico e social verificado, e às consequentes alterações ocorridas a partir de 1994, a IFLA produziu, em 2009, dez recomendações adicionais ao texto tendo em vista uma adaptação destas instituições às transformações ocorridas na sequência das chamadas Novas Tecnologias da Informação. Nestas recomendações, com o título 10 ways to make a public library work / Update your libraries são apontados os caminhos para colocar os serviços das bibliotecas públicas no século XXI, e, também, o papel essencial das bibliotecas no mundo digital e em permanente mudança.
As recomendações elaboradas em 2009, sublinham, ainda, a necessidade de criar uma sabedoria global World Wide Wisdom -, facilitadora de um diálogo intercultural em que o bibliotecário deve assumir o papel de educador e de formador da comunidade, e não apenas o de guardião do conhecimento. Aqui, surge, também, o conceito de biblioteca combinada na qual coexistem os papéis de biblioteca, arquivo, museu e centro de cultura como espaço de encontro da comunidade.

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