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As alterações climáticas vão acabar com Joe Biden

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As alterações climáticas vão acabar com Joe Biden

Ideias

2020-10-03 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

No passado dia 15 de setembro, Donald Trump visitou a Califórnia para se inteirar da evolução dos gigantescos incêndios florestais nessa parte da Costa Oeste dos E.U.A. Com a sua característica desbragada frontalidade acusou de incompetência o governador do Estado e as administrações dos respetivos condados, dizendo não compreender como é possível que, ano após ano, deixem acontecer um tal espetáculo dantesco, oferecendo-lhes, caso desejassem, a passagem do controlo da situação para o governo federal.
A resposta das acossadas autoridades, quase todas eleitas pelo Partido Democrata, não se fez esperar. Segundo elas, Trump não estava a ser razoável, porquanto, argumentaram, tais eventos extremos, cada vez mais frequentes, em maior número e mais violentos, estão a ser causados pelas alterações climáticas globais. As mesmas, acrescentaram, cuja gravidade ele se obstina em não reconhecer e para as quais vem contribuindo não realizando as ações que cada vez mais urgentemente se impõem.

Num ápice a discussão resvalou para a recriminação de Trump de permanecer alheio ao amplo consenso científico a esse respeito, de enjeitar incompreensivelmente a autoridade da ciência nessa matéria. Ripostou o presidente dos E.U.A. que a opinião dos peritos científicos não está isenta de crítica e que em breve iríamos assistir a um arrefecimento global.
A imprensa mundial – na verdade as três gigantes da indústria televisiva estadunidense, a ABC, a CBS e a NBC que, juntamente com o Washington Post e o New York Times, fabricam mais de 90% das notícias consumidas no planeta, depois reproduzidas, como memes, em milhões de publicações em todo o mundo – apressou-se na evangelização da mensagem: o líder da nação mais avançada do mundo é um tacanho negacionista e anti-ciência.

Para tornar as coisas mais delirantes, Joe Biden, o candidato democrata que rivaliza com Trump na corrida à Casa Branca, fazendo um claro aproveitamento da situação afirmou, cito: «Incêndios florestais “infernais” vão tornar-se mais frequentes se Trump ganhar o segundo mandato». Pode inferir-se das suas palavras, suponho, que se Biden vencer, os incêndios florestais infernais passarão a ser menos frequentes. Porquê? Porque Biden não é um negacionista das alterações climáticas. Porque Biden é respeitoso da autoridade da ciência e das opiniões dos especialistas. Porque Biden vai retomar o cumprimento das metas do Acordo de Paris. Porque Biden tem…magia!
Entretanto, fica por explicar por que é que os tais incêndios florestais infernais não cessam de aumentar no estado mais rico dos E.U.A.

As alterações climáticas não justificam tudo. Há (ir)responsabilidade política também. E, claro, temos hoje um consenso na comunidade científica de que o aquecimento global é real, mas também havia um consenso na comunidade científica entre meados da década de 1960 e ao longo de toda a década de 1970 de que a Terra estava a arrefecer e uma nova idade do gelo principiara. Não estou com isso a querer dizer que não temos evidências seguras da existência de alterações climáticas à escala planetária, incluindo as de um preocupante aquecimento global. E também não menosprezo a importância do conhecimento científico para nos adaptarmos com sucesso ao mundo. Porém, ser-me-á difícil aceitar a autoridade da ciência neste assunto – e talvez em qualquer outro. A ciência não goza de imunidade crítica. O Sistema Terra é demasiado complexo e a ciência a seu respeito demasiado pobre para sabermos o que o futuro nos reserva.

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