Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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As abelhas neste verão e as formigas de Joane

O Movimento Escutista Mundial (IV)

Ideias

2011-09-05 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

O verão que agora está a terminar ficou marcado, na nossa região, por uma invasão de abelhas. Em várias freguesias de Braga, Vila Verde e outros concelhos, as pessoas tiveram receio de sair de casa ou sequer de abrir as janelas, com medo que as abelhas as atacassem.

A presença de abelhas nesta região atingiu pontos de algum dramatismo, uma vez que algumas pessoas tiveram mesmo necessidade de se deslocarem ao hospital para receberem tratamento, como aconteceu com uma senhora e o seu neto, de uma freguesia do concelho de Braga. Pior sorte teve um habitante de uma freguesia de Vila Verde, que acabou por falecer há poucos dias, depois de ter sofrido uma paragem cardíaca após, crê-se, ter sido picado por uma abelha.

A invasão de abelhas neste verão recorda-nos a presença, nesta região, de outro animal, ainda mais pequeno, já lá vão mais de 80 anos: as formigas!

Estava-se no mês de Agosto de 1925 quando os habitantes de Moutilhão, um pequeno lugar da freguesia de Joane, concelho de V. N. de Famalicão, viram-se confrontados com uma invasão inesperada de… formigas.

Todos sabemos que as formigas são o grupo mais popular dos insectos e todos sabemos também que, apesar de pequenas, juntas formam grandes grupos de trabalho. Neste contexto, não faltam provérbios dedicados às formigas, destacando-se aqui aquele que diz: 'A formiga, ainda que pequena, mata o crocodilo'. E vamos já ver porquê:

Foi no início desse mês de Agosto que as formigas começaram a comparecer, em grande número, ao lugar de Moutilhão, na já referida freguesia de Joane. De início, as pessoas não levaram muito a sério esta invasão, uma vez que era frequente existirem muitas formigas na época do verão. No entanto, à medida que as formigas apareciam e… não desapareciam, as preocupações começaram a aumentar.

Foram várias as formas que as pessoas usaram para combater as formigas, mas nenhuma delas se tornou eficaz e, por isso, as preocupações começaram a ser cada vez maiores, devido à presença, aos milhões, destes insectos, um pouco por todo o lado.

A presença das formigas era de tal forma notória que muitos sectores da vida das pessoas foram atingidos: os alimentos estavam completamente invadidos por formigas, que dessa forma os deterioravam; também as roupas eram atacadas por formigas, provocando um enorme mal-estar nas pessoas; à noite, as camas eram invadidas por este insecto, impedindo que as pessoas descansassem sossegadamente; as flores, os vegetais ou as árvores de fruto estavam também repletas de formigas, que as destruíam lentamente.

Outra praga ocorreu no mês de Setembro, quando as videiras, repletas de uvas maduras, estavam também cheias de milhares de formigas. Quando se conseguia apanhar algumas uvas, eis que as formigas apareciam aos milhares nos próprios lagares, estragando o vinho.
Outra das vertentes da destruição causada pelas formigas foram as próprias aves, uma vez que, nos ninhos, as formigas rapidamente devoravam as crias indefesas que lá se encontravam.

Perante a invasão de milhões de formigas, os formicidas (remédio contra as formigas) depressa esgotou na região. E dessa forma os milhões de formigas, que se expandiam cada vez em maior número, passaram do lugar do Moutilhão para os outros lugares de Joane.

A praga das formigas foi aumentando cada vez mais, de tal forma que, quando a segunda guerra mundial terminou, em 1945 (passados já mais vinte anos da presença maciça destes animais incómodos em Joane, as formigas continuaram a dominar 19 dos 22 lugares da freguesia.
Lenta mas firmemente, as formigas foram dominando Joane, dando verdadeira justificação ao provérbio que aqui já foi lembrado, segundo o qual 'A formiga, ainda que pequena, mata o crocodilo”.

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