Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Arre Burro

Como sonhar um negócio

Ideias Políticas

2012-10-09 às 06h00

Pedro Sousa

A expressão é popular e significa espanto, irritação e impaciência movida contra um animal a que não é, habitualmente, reconhecida grande inteligência.
Poder-se-á perguntar se esta é a forma mais adequada de começar um artigo de opinião vocacionado para a reflexão política.
Reconheço, sem problemas, que não é, de facto, a forma mais comum e literariamente mais cuidada.

Tenho, por regra, o maior res-peito pelos meus opositores políticos, pelas suas posições, ideias e convicções. Não tenho dúvidas nenhumas que a Democracia, com todos os seus defeitos, mil e um, continua a ser o melhor dos sistemas representativos, na exata medida em que permite a reflexão, formulação e expressão livre daquilo em que cada Partido acredita, seguindo-se um processo de escolhas, também ele livre, em que os cidadãos escolhem quer os programas, quer as pessoas em que depositam mais confiança para os representarem.

Claro que, muitas vezes, mui-tas mais do que deveriam acontecer, a reflexão, a formulação e a expressão das opções assumidas pelos Partidos Políticos e pelas suas lideranças não correspondem à ação que vemos ser implementada. Este é, sem sombra de dúvida, o principal motivo de afastamento entre os que Governam e os que são Governados e carece de uma reflexão cuidada e urgente dos líderes de todos os Partidos Políticos sem exceção.

Voltando à história do arre burro. Não encontrei melhor expressão para definir os dezasseis meses do Governo PDS-CDS.
Um caminho de ataque ao rendimento dos Portugueses, um caminho de desvalorização do factor trabalho, um caminho de constantes aumentos de impostos que só conduzem a uma cada vez maior economia paralela e à correspondente quebra das receitas fiscais. A somar a tudo isto, há o desemprego galopante, com mais 110 mil novos desempregados apenas em 2012, e o escalada incontrolável do valor a pagar em prestações sociais. É neste buraco negro, sem fundo, sem luz, sem esperança que o Governo teima em mergulhar o País.

A receita seguida traz-nos, hoje, dezasseis meses depois da eleição de Pedro Passos Coelho como Primeiro-Ministro, um Portugal mais pobre, mais desigual, mais injusto, com mais desemprego e com menos oportunidades. O tão propalado corte nas despesas, nas gorduras do Estado, apregoado por Pedro Passos Coelho teima em chegar mas o ataque aos Portugueses, à classe média, aos que mais precisam é desferido pelo Governo todos os dias, sem apelo nem agravo.

Falar verdade aos Portugueses era assumir que este brutal e injusto novo aumento de impostos se deve, quase exclusivamente, ao insucesso da execução orçamental de 2012, que fixa o deficit e 6% e não em 4% como previsto, responsabilidade que cabe, apenas, ao Governo liderado por Passos Coelho.

Mais grave que isto é perceber que com este novo e brutal aumento de impostos anunciado pelo Sr. Ministro das Finanças são, uma vez mais, os trabalhadores por conta de outrem e os pensionistas a suportar o grosso do ajustamento orçamental, que os rendimentos de capital continuam timidamente tributados, que as transações financeiras ficam para estudo posterior e que os que estão fora do sistema fiscal, ou seja, os muito ricos, continuarão confortavelmente a não serem tributados, seja ao nível individual, seja a nível da diluição de responsabilidade fiscal pessoal, impunemente reportada às empresas.

O Governo assume, como sempre até aqui, a sua força para com os mais fracos e os seus paninhos quentes para com os mais ricos e poderosos.
Vítor Gaspar, o Ministro que fala devagarinho porque está, sempre, a traduzir automaticamente aquilo que Angela Merkel lhe diz ao ouvido, falou ao País para anunciar este aumento de impostos e não disse uma vez a palavra Portugueses, a palavra famílias.
Falou do País como algo inanimado, sem vida, sem pessoas. Um País de números, cálculos, gráficos, estudos e dados em que, ainda para mais, teima em não acertar.
Arre burro.

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