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Aquecimento global e Desenvolvimento Económico

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Aquecimento global e Desenvolvimento Económico

Ideias

2019-03-22 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

O crescimento económico moderno, propiciado, em parte, pelo comércio internacional, tem tido consequências ambientais. Desde a Revolução Industrial que as temperaturas médias têm vindo a subir, em grande medida devido às emissões de dióxido de carbono e outros gases para a atmosfera, que alteraram a concentração de gases de estufa na atmosfera e as condições de cobertura de superfície. Como se pode observar na Figura, a tendência de crescimento da temperatura da superfície global é muito clara. O que está na Figura, que vai do final desde 1880 ao período atual, é a comparação entre a temperatura média anual combinada da superfície do oceano e dos continentes com a média do século XX. As barras em cor azul mostram os anos cuja temperatura ficou abaixo da média do século passado. As barras vermelhas, anos mais quentes, acima da média.















































Vamo-nos habituando – se é que se pode dizer isto - a histórias cada vez mais frequentes de anomalias e cataclismos extremos, incêndios catastróficos, extensas inundações ou secas longas, tempestades e furações. A acidez das águas oceânicas superficiais aumentou em cerca de 30%, segundo dados da NASA (2019), colocando em perigo a vida marinha. As mudanças no clima contribuem para o acumular de doenças e para a alteração das condições de vida selvagem, para mudanças no uso dos solos e na produtividade das culturas, de forma mais genérica para o comprometimento de infraestruturas, migrações e problemas de segurança, entre outros problemas que eventualmente poderão afetar a vida económica, social, cultural e ambiental.
Vamo-nos habituando a histórias terríveis como o ciclone Idai que agora atingiu o centro de Moçambique, com os relatos impressionantes de perda de vidas, de destruição e das doenças que certamente se seguirão, num país já marcado pela pobreza. 90% da cidade da Beira, a segunda maior cidade de Moçambique está destruído, bem como infraestruturas por toda a região, energia elétrica e comunicações, e toda a base económica, de subsistência. A solidariedade internacional é importante, toda a ajuda possível que poderá minimizar o impacto atual, mas não será isso a resolver o problema. Porque outros virão, menores ou talvez mais extremos. Entretanto, por cá, vamo-nos surpreendendo com um Fevereiro mais quente que o normal, ou com a seca crescente pelo Alentejo.
A relação entre mudanças climáticas e fenómenos de mau tempo extremo, em termos globais, e a repercussão na economia integram de modo crescente o debate sobre políticas nacionais e empresariais do ponto de vista estratégico, mas sem efeitos visíveis. Desde os anos 60 que têm sido realizadas conferencias internacionais para discutir políticas globais que pudessem facilitar o controlo do aquecimento global. A primeira dessas conferências, liderada pelas Nações Unidas, foi a Conferência de Estocolmo, em 1972; depois, em 1987, foi assinado o Protocolo de Montreal, destinado a reduzir a emissão de gases CFC, responsáveis pela destruição da camada de ozônio. Em 1992, no Rio de Janeiro, 172 países reuniram-se para avaliar os principais problemas ambientais e discutir metas de redução dos impactos por eles gerados, tendo aprovado medidas conducentes ao desenvolvimento sustentável enquanto forma de melhoria da qualidade de vida. Em 1997, veio a ser assinado o Protocolo de Kyoto, que alertava para o efeito estufa, estabelecendo mesmo metas quantitativas para a redução dos gases. Mas só veio mesmo a entrar em vigor em 2005.
Na verdade, tem sido muito difícil implementar medidas; o mais recente foi o Acordo de Paris, um documento sobre o clima assinado em 2015 por 196 países, que visava limitar o aumento da temperatura global ao máximo de 2ºC em relação aos níveis da era pré-industrial, prevendo ajuda aos países em desenvolvimento e indemnizações a países vulneráveis. Contudo, em 2017, os EUA – segundo maior emissor global de gases do efeito estufa – retiraram-se do acordo, argumentando que seria injusto para com a economia norte-americana; a Rússia também não ratificou ainda o acordo.
Os maiores emissores mundiais de gases com efeito de estufa eram, em 2012, a China, os Estados Unidos, a União Europeia, a Índia e o Brasil. Na União Europeia, a Alemanha seguia destacada, no pelotão da frente. Nunca estive em Moçambique, mas lembro-me muito bem da enorme vulnerabilidade das povoações ao longo das praias na República Dominicana, com habitações perigosamente instáveis e impreparadas. Nos países mais pobres, menos desenvolvidos, as mudanças climáticas, estes eventos extremos, têm consequências maiores a curto prazo e impacto muito mais longo no tempo. As estatísticas variam, mas dizem os especialistas que a concentração histórica da indústria e da riqueza nos países mais ricos explicam cerca de 79% das emissões de gases entre 1850 e 2011, mas a preocupação dominante em muitos destes continua a ser a emigração, e a construção de muros reais e virtuais.

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