Correio do Minho

Braga,

Aproveitar Oportunidades

Serviços de pagamento: mudaram as regras

Ideias

2018-11-08 às 06h00

Leonel Rocha

Ortega e Gasset, um filósofo espanhol, referiu que “eu sou eu e a minha circunstância”. Ou seja, somos o que somos fruto da nossa genética, claro, mas acima de tudo fruto do ambiente que nos rodeia, quer o ambiente familiar, quer o ambiente social, quer o ambiente escolar, quer o ambiente cultural e associativo e o próprio ambiente natural em que vivemos.
O ambiente que nos rodeia vai-nos proporcionando um conjunto de aprendizagens e de oportunidades que nos ajudam a capacitar para o nosso sucesso pessoal e profissional e, consequentemente, para o sucesso da comunidade, que pode beneficiar da ação dos seus membros, com vista a um maior desenvolvimento.

As oportunidades que, normalmente, fazem a diferença no nosso sucesso devem ser procuradas por cada um de nós e/ou podem ser aproveitadas quando surgem, mesmo não sendo fruto da nossa procura.
Procurar boas oportunidades é uma prática que nos deve ser ensinada. A Família, a escola e a comunidade devem ajudar a desenvolver estas atitudes e competências de procura, de não nos conformarmos com a realidade tal como ela é, mas percebermos que somos agentes de mudança que podemos ajudar a melhorar a mesma realidade, tal como reitera o mesmo Ortega e Gasset “se eu não a salvar (a minha circunstância), não me hei de salvar”.
Esta reflexão pretende alertar para a responsabilidade que todos temos em criar novas e boas oportunidades – seja por visão: para podermos ter concidadãos melhores que nos ajudem no desenvolvimento coletivo e na melhoria das condições de vida da comunidade; seja por altruísmo: pensarmos no bem dos outros; ou mesmo por algum “egoísmo”: dar a pensar em ter retorno, direto ou indireto, para si próprio - ou das muitas oportunidades que vão existindo e que não são aproveitadas. Exemplificando…

Há certas medidas que os municípios tomam, que não se refletem em grandiosas obras, mas traduzem-se em incentivos que fomentam a criação de oportunidades ou são, por si só, circunstâncias para que outras oportunidades criadas e/ou aproveitadas possam ter visibilidade e eco. Os Selos Famalicão Visão 25, promovidos pelo Município de Vila Nova de Famalicão, são um exemplo ilustrativo do que estou a falar.
No âmbito do selo Famalicão Comunitário, que assinala instituições que desenvolvem projetos ou ações em prol do desenvolvimento da comunidade em que se inserem, foi distinguido, entre outras entidades, o Agrupamento de Escolas de Ribeirão, com o seu projeto “Alunos Promotores de Sucesso” (APS), que mais não é do que uma oportunidade criada pela escola, para que os alunos com mais dificuldades possam aprender com outros alunos que dominam bem a matéria em causa.

Trata-se de um projeto que proporciona oportunidades para os alunos que dão e para os alunos que recebem, pois além de se trabalhar a vertente intelectual da respetiva aprendizagem curricular, desenvolve também competências de saber explicar (falar para um público), competências de trabalho em equipa e competências/valores de solidariedade dando atenção aos outros.
Esta é a lógica do Município de Famalicão em geral, e em particular no que diz respeito à sua aposta na Educação e Cultura: criar igualdade de oportunidades em todo o território (ora com ferramentas disponibilizadas às escolas, ora com a programação cultural descentralizada que está a ser preparada), para que os alunos e suas famílias possam aproveitar o seu percurso educativo, complementado com o conjunto de capacitações que a cultura e a educação não formal nos dão. Aproveitando tais oportunidades, os alunos conseguirão atingir mais facilmente objetivos de sucesso pessoal e profissional, muitas vezes, só possíveis a partir de uma mobilidade social.

Quando tenho, à minha disposição, boas escolas, uma oferta cultural de qualidade e em quantidade e entidades associativas que me podem proporcionar a possibilidade de adquirir competências transversais, que poderão fazer a diferença no meu futuro e as usufruo, então estou a fazer a minha parte na construção do meu eu, aproveitando ao máximo as minhas circunstâncias.
Já agora não resisto a citar novamente Ortega e Gasset, quando nos diz que “o verdadeiro tesouro do homem é o tesouro dos seus erros” e lembrar que o Escutismo, que tanto prezo, é precisamente uma “escola de valores”, onde cada criança e cada jovem aprende através do jogo e onde o aprender fazendo, sem medo de errar, está sempre presente no dia a dia das atividades escutistas, permitindo a cada escuteiro aprender com os erros.
Valia a pena refletirmos até que ponto estamos a aproveitar as oportunidades que a circunstância da nossa vida nos proporciona, ora de uma forma evidente (e é só aproveitar), ora de forma mais velada (e é preciso procurar).

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