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Apostem, mas o Prémio Nobel da Paz vai para...

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Apostem, mas o Prémio Nobel da Paz vai para...

Escreve quem sabe

2021-10-15 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

Na minha crónica “Escutismo, um instrumento para o desenvolvimento da paz”, publicada no dia 12 de fevereiro de 2021, dei conta que as organizações mundiais do escutismo e do guidismo tinham sido propostas para o prémio Nobel da Paz de 2021.
Integraram a lista de 329 candidatos, 234 indivíduos e 95 organizações, foi, só por si, um estímulo para fazer cada vez mais e melhor um trabalho onde a educação para a paz se assume como um valor fundamental.
No Escutismo e no Guidismo paira no ar um perfume de gratidão para com a deputada do parlamento Norueguês, Solveig Schytz, que colocou estas duas organizações mundiais na lista tão prestigiante de candidatos.

Naturalmente que o Escutismo e o Guidismo não figuravam entre os favoritos nas casas de apostas, na lista que a agência de notícias espanhola EFE divulgou, onde pontificavam:
• a OMS surge em destaque se a opção for a de distinguir a luta contra a covid-19, a nova doença que matou mais de 4,8 milhões de pessoas no mundo desde o final de 2019, e que alterou o modo de vida em sociedade.
• Se o Comité Nobel optar por um prémio "ambiental", as opções incluem a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) e a sua secretária executiva, a mexicana Patricia Espinosa, Greta Thunberg.
• A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) e o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) foram referidos como principais concorrentes pelo Conselho Norueguês para a Paz e pelo diretor do Instituto de Investigação da Paz (PRIO) em Oslo, Henrik Urdal..
• Ativistas como Svetlana Tikhanovskaya (Bielorrússia), Fawzia Koofi (Afeganistão), Nathan Law (Hong Kong), Ilham Tohti (China) ou Lpujain al-Hatlou (Arábia Saudita).
• As organizações Campanha contra os Robôs de Combate, Rede Internacional de Verificação de Factos (IFCN), Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) ou Grupo de Análise de Dados de Direitos Humanos (HRDAG).

A academia premiou, este ano e de forma conjunta, dois jornalistas: Maria Ressa (Filipinas) e Dmitry Muratov (Rússia), “pelos seus esforços de salvaguarda da liberdade de expressão” que o Comité Nobel Norueguês considera ser uma “condição para a democracia e a paz duradoura”.
Os laureados representam, de certa forma, no dizer do Comité “todos os jornalistas que defendem este ideal num mundo onde a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam, cada vez mais, condições adversas”.
Curiosamente, estes dois jornalistas não integravam as listas das casas de apostas da especialidade.

Maria Ressa, antiga jornalista da CNN que, segundo o Comité, “usa a liberdade de expressão para trazer a público os abusos do poder, o recurso à violência e o crescente autoritarismo que existe no seu país natal”, as Filipinas.
Berit Reiss-Andersen, a presidente do comité que atribui este prémio, afirmou que Maria Ressa “tem demonstrado ser uma defensora destemida da liberdade de expressão” e a Rappler, de que Ressa é cofundadora, tem sido um agente crucial no escrutínio ao “regime de Duterte”, um regime “controverso” e “assassino”. Destas ações tem resultado um conjunto de múltiplas acusações judiciais conta Maria que as tem enfrentado só e com coragem e determinação.

Dmitry Muratov é um jornalista que, segundo o Comité, “há décadas defende a liberdade de expressão na Rússia, em condições cada vez mais difíceis”, sendo um dos fundadores do jornal independente Novaja Gazeta, em 1993, de que é diretor e que a Academia Nobel considera “ser o jornal mais independente na Rússia, nos dias de hoje”. Com um jornalismo “baseado em factos”, tendo-se tornado “uma fonte importante de informação acerca de vários aspetos censuráveis que existem na sociedade russa”.
Como é bom saber que a Academia Nobel não se rege por sondagens, nem pelos tops das casas de apostas, mas sim pela fidelidade ao pensamento do seu fundador, Alfredo Nobel.

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