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Braga, terça-feira

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Apaixone-se pelas Sete Fontes

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Escreve quem sabe

2016-02-02 às 06h00

Margarida Pereira Margarida Pereira

Certamente já todos ouviram falar sobre o Complexo Eco-Monumental das Sete Fontes, mas ainda são muitas as pessoas que desconhecem o monumento nacional e o seu inigualável valor.
Escavações arqueológicas realizadas no local confirmam que o antigo sistema de abastecimento de água remonta ao tempo de Bracara Augusta, no entanto só obteve a forma que lhe conhecemos hoje em meados do século XVIII. Durante a primeira metade desse século, o Arcebispo de Braga D. Rodrigo de Moura Telles reconheceu naqueles mananciais de água o seu verdadeiro valor e começou a projectar o monumento que aquelas fontes de água potável mereciam.

No entanto, foi D. José de Bragança, Arcebispo de Braga que se seguiu a D. Rodrigo de Moura Telles, quem mandou edificar as Sete Fontes tal como as podemos ver hoje. Este monumento de estilo barroco começou a ser construído em 1741, terminou em 1756 e estende-se ao longo de cerca de 3500 metros, mas as suas condutas atravessavam toda a cidade, pois eram o único sistema de abastecimento de água que a cidade possuía.

Contudo, o Complexo Eco-Monumental das Sete Fontes nem sempre teve o protagonismo e a valorização que mereceu. Prova disso, foi a destruição de uma das minas para dar lugar a um prédio. E essas pedras trabalhadas desapareceram, não havendo quem conheça o seu paradeiro. Apesar da ocorrência de episódios menos felizes e até “criminosos”, as Sete Fontes são hoje um símbolo vivo de consecutivas vitórias e de muita luta. Ameaçado durante anos, este monumento viu o seu fim anunciado com a construção do novo hospital de Braga.

Com a sua área sobrevalorizada, foram muitos os empreiteiros que desejaram possuir aqueles terrenos para futuras construções. Ainda assim, entidades como a Junta de Freguesia de S. Victor, a JovemCoop e os Peticionários das Sete Fontes não baixaram os braços e lutaram realmente pela vida deste monumento, conseguindo inicialmente que o Complexo das Sete Fontes fosse discutido na Assembleia da República e fosse, posteriormente, considerado Monumento Nacional. Determinada a Zona Especial de Proteção e suspenso o PDM naquela zona, houve a preocupação de estudar a possível área a afetar ao Parque Verde, prevendo uma substancial redução da área construtiva e proibindo a edificação no coração do monumento.

Outro momento de elevada importância para a conservação das Sete Fontes foi o restauro das Mães D’Água existentes e as suas envolventes, um passo dado pelo município que lhe valeu uma menção honrosa no prémio IHRU (Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana). Não esquecendo também as atuais intervenções que estão a decorrer junto da última Mãe D’Água com o objetivo de requalificar a bica pública, que ainda abastece muitos bracarenses que lá se dirigem para ir buscar água.

Todas estas conquistas são a prova viva de que se as pessoas se preocuparem, se as pessoas defenderem as suas convicções, juntas conseguem mudar o rumo das coisas. As Sete Fontes tinham um fim anunciado, mas hoje estão protegidas, restauradas e à espera de serem valorizadas pela livre fruição humana. Apesar disso, ainda existe muito trabalho pela frente, sendo urgente obrigar os proprietários dos terrenos envolvente ao complexo a limparem os terrenos cobertos de mato. Torna-se imperativo gizar a estratégia que ceda aqueles terrenos ao usufruto público para que se possa realizar o Parque Eco-Monumental. É importante não esquecer as Sete Fontes e continuar a lutar pelo Parque Eco-Monumental que Braga merece e pelo qual sempre lutamos.

Por esse motivo, convidamos todos a “Apaixonarem-se pelas Sete Fontes”, no dia 14 de Fevereiro, pelas 9h15. A caminhada pelo Complexo, organizada pela JovemCoop, com o apoio da Junta de Freguesia de S. Victor, inicia-se no Largo da Senhora-a-Branca e tem, como finalidade, combater o anonimato daquele tesouro bracarense e evitar que este caia no esquecimento. A cor vermelha das Mães d’Água darão o mote para uma manhã de paixão por um sítio que se quer romântico. Deixe-se apaixonar pelas Sete Fontes, pois juntos protegeremos aquilo que tanto amamos.

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