Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Ao que chegamos! O banco de investimento americano Goldman Sachs domina o mundo

O que nos distingue

Ideias

2014-04-26 às 06h00

António Ferraz

Entre os maiores bancos de investimento internacionais destaca-se o gigantesco banco Goldman Sachs (GS) fundado nos Estados Unidos em 1868. Vêm, a propósito, as seguintes afirmações:
1. “Não são os governos que dirigem o mundo; quem governa o mundo é o Goldman Sachs” (A. Rastani, alto quadro do GS).

Na verdade o GS é visto como um dos maiores responsáveis pela atual crise financeira e económica na Europa (e no mundo) e iniciada nos EUA em 2007/2008. Não deixa de ser ilustrativo do poderio do GS o facto da justiça americana apesar da alta e inquestionável responsabilidade do banco no desencadear desta crise, não ter aberto qualquer processo contra o GS, seus dirigentes e funcionários por considerar não existir “razões sólidas”!

É que o próprio Congresso dos EUA afirmou então que a crise foi resultado de “produtos financeiros complexos de alto risco - “subprimes”, cumplicidades de interesses secretos, falha dos reguladores, das agências de notação financeira “ratings” e do envolvimento da GS em atividades ilícitas no sector imobiliário. Na verdade o GS misturou títulos de confiança com créditos impossíveis de cumprir (o total dos produtos tóxicos atingiram cerca de 100 mil milhões de dólares), e, em pouco tempo vendeu quase todos esses produtos convencendo os seus clientes a adquiri-los com a miragem de altos lucros.

2ª. “Eu faço o trabalho de Deus” (L. Blankfein, diretor executivo do GS).
Esta frase sintetiza bem a sede de poder do GS, banco de investimento internacional que comanda o mundo no maior secretismo. Mas poderá mesmo mandar no mundo? A resposta é “sim”. De que forma? A crise financeira e económica atirou o GS para todos os noticiários a nível mundial, o GS encontra-se omnipresente, na falência do fundo de investimento americano Lehman Brothers, na crise na Grécia (o GS vendeu o produto financeiro conhecido por “swaps” e com o qual as autoridades gregas e o GS esconderam a real situação das contas gregas), no risco que tem vindo a incidir sobre o Euro, na resistência do poder financeiro a qualquer tipo de regulação financeira, no financiamento dos défices orçamentais e nas crises das dívidas soberanas (nomeadamente nos países da Europa do Sul).

A promiscuidade entre o GS e a política pode ser retratada, desde logo, com Mário Draghi, presidente do BCE e um defensor da austeridade excessiva e que foi vice-presidente do GS para a Europa entre 2002 e 2005, Mário Monti, ex-primeiro ministro italiano não eleito foi conselheiro do GS, o ex-primeiro ministro grego Lukas Papademos também foi representante do mesmo banco. Luís de Guindos, ministro espanhol da Economia tinha sido presidente do GS para a península ibérica.

Quanto à Portugal é exemplo paradigmático, António Borges que foi dirigente do GS entre 2000 e 2008 e diretor do FMI, em 2010, com missões de supervisionamento sobre os empréstimos do FMI a países europeus em dificuldades, José Luís Arnault quadro dirigente do PSD e antigo membro governamental passou a ocupar um alto cargo no GS e o anterior ministro das finanças Vítor Gaspar que será empossado em breve como diretor do FMI.

O polvo GS estende os seus tentáculos mundialmente dominando povos, governos, empresas e outras instituições. Ao que chegamos! Que lições tirar desse facto?

O GS se tornou demasiado poderoso uma vez que influencia a política, a economia e a cultura à escala global. Dispõe de um exército de antigos funcionários colocados em cargos políticos e económicos mais sensíveis no mundo. Também se verifica o contrário, a angariação de novos colaboradores para o GS faz-se muitas das vezes com pessoas que desempenharam cargos políticos chave em muitos países. Sendo assim, para alguns o GS é visto como a encarnação do que de pior têm os banqueiros de Wall Street, aliás, com uma força cada vez maior no seio do governo americano. Milhões de dólares são gastos pelo GS para colocar políticos e mais políticos em postos no poder e, desta forma, servirem religiosamente os interesses financeiros do banco. Segundo Matt Taibbi o GS assemelha-se a “um vampiro que se alimenta da humanidade com um apetite sanguinário implacável por tudo o que envolve dinheiro”.

Alterar este estado de coisas não será certamente uma tarefa fácil nem rápida, mas poderá suceder se à medida que os povos tomarem consciência desta realidade se empenharem no sentido da mudança quer pela via eleitoral quer pela mobilização de movimentos políticos e sociais de protesto à escala nacional e mundial.

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