Correio do Minho

Braga, quinta-feira

António Costa e o 1.º de Dezembro

O Estado da União

Ideias Políticas

2014-12-02 às 06h00

Pedro Sousa

Completaram-se, ontem, trezentos e setenta e quatro anos desde o 1.º de Dezembro de 1640. Data histórica e de central dimensão patriótica, tendo em conta que foi exactamente no dia 1 de Dezembro desse ano de meados do século XVII que o Reino de Portugal afirmou, em definitivo, a sua independência face à nossa vizinha Espanha. Foi, portanto, um dia de central importância para a Portugalidade, para a nossa soberania enquanto estado-nação e para a nossa identidade quer individual, quer colectiva.

Sou daqueles que acredita que “passear” com algum rigor pelas páginas da história nos permite, não raras vezes, consolidar com densidade e espírito crítico uma visão, um arquétipo que, recordando o que de mal de menos bem se fez no passado, nos pode ajudar, hoje, a pensar a organização política e administrativa do País, nomeadamente, não repetindo erros; tendo pelo contrário, sempre, como lastro de inspiração, um conjunto de valores de promoção da causa e do interesse público e um horizonte de defesa, qualificação e valorização do País.

O 1º de Dezembro de 1640 - golpe de estado revolucionário - foi despoletado e liderado por um grupo homens que ficaram conhecidos como os “Os Quarenta Conjurados”, tendo, estes, sido imediatamente secundados nos seus intentos por pessoas dos mais variados estratos sociais que, por todo o Reino, se revoltaram contra a tentativa da anulação da independência do Reino de Portugal pela governação da Dinastia filipina castelhana. O primeiro de Dezembro acabou, por fim, por resultar na instauração da 4.ª Dinastia Portuguesa - a casa de Bragança - com a aclamação de D. João IV como legítimo Rei de Portugal, pondo fim à União Ibérica.

Neste quadro, é claro para todos que o 1º de Dezembro marca de forma indelével e como nenhum outro dia o renascimento de Portugal enquanto Estado livre, independente e soberano; sendo, por isso, um dia de primordial centralidade na história Portuguesa.
A importância do 1º de Dezembro foi, desde os tempos da Monarquia Constitucional, reconhecida e este passou, como dia primordial da Portugalidade, a contar com comemorações à medida da sua importância. Foi com base neste espírito, que a Primeira República, em 1910, numa das suas primeiras decisões, decidiu passá-lo a feriado nacional como medida popular e patriótica.

O 1º de Dezembro foi, assim, assinalado com a devida pompa, ininterruptamente, durante mais de cem anos, sendo o feriado civil mais antigo, tendo sobrevivido à I República, ao Estado Novo e a algumas décadas da Democracia.
O ano de 2012, marcou o fim da Comemoração do 1.º de Dezembro enquanto feriado nacional, decisão tomada pela pena desse (des)Governo do Sr. Pedro Passos Coelho e do Sr. Paulo Portas, acto de vergonhosa desvalorização da nossa história, do nosso património cultural e, até, um despudorado ataque ao sentimento de pertença que deve existir e ser promovido pelos poderes públicos face às mais importantes datas e símbolos da nossa história.

Escrevo, hoje, sobre isto porque este fim de semana, António Costa, no XX Congresso do Partido Socialista, reafirmou mais uma vez que, no próximo ano, sendo eleito Primeiro Ministro de Portugal, o 1º de Dezembro voltará a ser feriado nacional. Sei que esta não foi a mais importante declaração que produziu nas suas intervenções. Houve outras, de carácter, visão e inspiração eminentemente humanista e antropológica que, visando recolocar a acção política no lugar de onde ela nunca deveria ter saído, poderiam merecer igual destaque.

Sucede que, no meu modesto entender, o presente e o futuro do nosso País, a defesa intransigente da nossa identidade e a valorização histórica de determinadas datas e símbolos é aquilo que dita o orgulho e a pertença que temos com a nossa terra, com a nossa comunidade, com o nosso País, pelo que, hoje, não poderia deixar de realçar o 1º de Dezembro e a esperança de que com António Costa tenhamos, novamente, e ao invés do que acontece com o actual (des)Governo (que, nos últimos três anos, mais não fez do que mergulhar Portugal num clima de profunda desconfiança, desesperança, receio, sonhos perdidos e ambições amputadas), um futuro marcado pela esperança, pelo entusiasmo e pelo orgulho de ser Português.

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