Correio do Minho

Braga, segunda-feira

António Costa dos Bombeiros não gosta!!!

Escrever e falar bem Português

Ideias

2018-02-25 às 06h00

Artur Coimbra

Desde os trágicos fogos de Junho e Outubro de 2017, de funestas consequências a nível de perdas de vidas humanas e de desertificação do território, que o governo de António Costa se tem afadigado em aprovar medidas que vão no sentido de que aquelas catástrofes não se repitam e que que se possa minorar o sofrimento das populações.
Logo em 21 de Outubro, no Conselho de Ministros Extraordinário, o governo procedeu à aprovação de alterações estruturais na prevenção e combate a incêndios, procurando, nomeadamente, a aproximação entre prevenção e combate aos incêndios rurais, a profissionalização e capacitação dos operacionais, a incorporação do conhecimento e especialização progressiva entre o combate aos incêndios rurais e a protecção de pessoas, bens e povoações, sem prejuízo da unidade de comando.

Um parágrafo que diz muito, diz tudo, do que o executivo de António Costa quer para a Protecção Civil (tudo). E para os Bombeiros (nada)
A partir dessa altura, muitos têm sido os anúncios de medidas que visam reforçar a prevenção e o combate aos fogos florestais.
Ainda esta semana, o ministro da Administração Interna anunciou que a Guarda Nacional Republicana vai participar no combate aos incêndios em todo o país. A intervenção da GNR neste domínio, que, actualmente, só existe em 11 distritos, vai ser alargada a todo o território nacional.
O ministro da Administração Interna adiantou ainda que irá começar já na próxima semana a formação de 600 militares da GNR que vão reforçar as equipas de combate aos incêndios, no Verão, de forma a permitir à GNR mobilizar 500 elementos para o Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS), que passarão a fazer ataque inicial [aos fogos] em todo o país e a dispor também de companhias de ataque ampliado, e mais 100 elementos para a estrutura de protecção da natureza e do ambiente.

Há uma gigantesca verba envolvida, na ordem dos 10 milhões de euros, que se destina ainda para mais 200 guardas florestais e 600 guardas para reforço do dispositivo geral da GNR. Acrescem 6,5 milhões para a compra de veículos, material e equipamento individual.
No meio deste panorama, não se compreende nem aceita o despudorado desrespeito, desconsideração e até afronta do actual governo aos Bombeiros Portugueses, apesar dos paninhos quentes que os governantes tentaram colocar no debate. Das medidas anunciadas nos últimos meses, para os bombeiros praticamente não sobra nada, o que é lamentável, tendo em vista que os Bombeiros e sobretudo os voluntários são historicamente o suporte básico da Protecção Civil deste país.

Que seria do socorro e do combate aos fogos florestais pelo país abaixo sem o voluntarismo, a abnegação, o espírito de sacrifício e o heroísmo gratuito dos Bombeiros Portugueses?
Nos grandes incêndios, quem é que os portugueses vêem na linha da frente, a dar o peito às balas no teatro das operações? Obviamente, os bombeiros! É claro que a Protecção Civil não se faz só com os bombeiros, integrando ainda outras forças militarizadas, mas faz-se sobretudo com os bombeiros. Isso é inegável.
Por isso, soa a absurdo que o Governo apetreche a GNR e outras forças em viaturas e material, pagando salários aos militares (para isso, há dinheiro) e desprezando os Bombeiros Portugueses, historicamente vocacionados para o combate aos fogos florestais e que desenvolvem essas tarefas a custos muito mais baixos.

Quanto vai custar a época de grandes incêndios, com o pagamento aos GIPS e a outras forças, pelos vistos do agrado de António Costa, quando tem milhares de soldados da paz que o têm feito voluntariamente, ou a custos reduzidos?!...
Pessoalmente, envergonho-me de um governo que assim age e assim despreza séculos de altruísmo, generosidade e filantropia. Em face desta realidade, soam a falso as afirmações de Eduardo Cabrita quando destaca o papel fundamental dos bombeiros voluntários.
A haver profissionalização, teria de ser enquadrada pelos bombeiros, que têm o saber acumulado e a formação de vidas e vidas em prol do voluntariado. Se há dinheiro para pagar a militares, apetrechando-os de material e equipamento, porque não aposta o governo no reforço operacional as corporações de bombeiros, que já tinham grande história quando a GNR foi criada em 1911.

Claramente, António Costa não gosta dos Bombeiros e está a colocar em risco a existência de centenas de associações humanitárias
Por isso, se entende a recente posição da Liga dos Bombeiros Portugueses, que aprovou um documento em que dá o prazo ao Governo, até 28 de Fevereiro, para responder a um conjunto de legítimas reivindicações, sob pena de não participar no Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Florestais (DECIF), que resulta num reforço de meios materiais e humanos.
Aliás, ainda esta semana as federações dos bombeiros dos distritos de Aveiro e Guarda aprovaram posições no sentido de não participarem no próximo DECIF.

Os Bombeiros exigem ao governo uma clarificação sobre o papel dos corpos de bombeiros na política nacional de protecção civil e nas alegadas reformas a implementar. Perante a sempre propalada ausência de fundos financeiros para equipar os bombeiros de Portugal com meios e equipamentos que são quem efectivamente apaga incêndios florestais o Governo anuncia a intenção de esbanjar dinheiro a equipar a Força Especial de Bombeiros e a Guarda Nacional Republicana, com equipamentos modernos e eficazes, nomeadamente veículos de combate a incêndio. Uma intenção que acontece num momento em que aos bombeiros ainda não foram pagas as despesas decorrentes dos incêndios de outubro de 2017 nem tão pouco os danos nos equipamentos e viaturas danificadas ao serviço da Autoridade Nacional de Protecção Civil, salienta a Federação Distrital de Aveiro.
De uma forma notória e evidente, o Governo apresenta hostilidade e repulsa em relação aos bombeiros portugueses, procurando minimizá-los, reduzindo-lhes meios, fundos e equipamentos e dando-lhes o papel de carne para canhão num dispositivo onde são tratados como mão-de-obra escrava e desprovida de direitos e regalias.
Os Bombeiros continuam a ser secundarizados no sistema de protecção civil refere a federação de Aveiro, para lamentar: O reiterado afastamento dos bombeiros e dos seus representantes de qualquer acção ou conselho na nova Agência para a Gestão de Incêndios Florestais, é apenas um dos exemplos do que são os bombeiros para o Governo de Portugal. Só encontro um adjectivo: vergonhoso!

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.