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Antes e depois (de Marega)!

Contra a violência doméstica

Antes e depois (de Marega)!

Voz às Escolas

2020-03-02 às 06h00

Maria da Graça Moura Maria da Graça Moura

Pode parecer assunto já suficientemente debatido e analisado, mas o caso Marega causou impacto, rompeu com estigmas, agitou consciências, pôs o país inteiro a discutir e a dissecar as entranhas do futebol, pelo que merece a insistência no debate.
O que aconteceu em Guimarães, poderia ter acontecido noutro estádio qualquer do país. O cenário repete-se em todos os jogos de futebol, principalmente nos considerados “jogos de risco”.

O futebol é um desporto de massas, muitas vezes massas eufóricas. Até agora (antes de Marega), tudo era tolerado, com a argumentação de que o futebol envolve paixão, emoção e, por isso, são permitidos palavrões, linguagem com termos violentos e ofensivos. Gritam os jogadores entre eles e gritam técnicos e treinadores. Gritam pais, avós, filhos, familiares e amigos que assistem juntos ao jogo e tudo passa de geração em geração. O clima de animosidade alastra-se a todo o estádio, com os incidentes a tornarem-se mais frequentes e os adeptos a sentirem-se legitimados a imitar o que, muitas vezes, se passa no campo e a repetirem, em coro, palavrões, gestos obscenos, injúrias, calúnias, difamações e até violência moderada.

Os adeptos, tanto ofendem um jogador negro que joga no clube adversário, como vibram de alegria com um negro que marca um golo da sua equipa. As claques, constituídas maioritariamente por jovens que atuam de forma concertada, revelam-se fanáticas pelo futebol e encontram, no espírito da mesma claque, o que mais procuram: uma legitimação que as protege, uma repercussão social que lhes confere impunidade e até as incentiva. As múltiplas reações ao caso Marega (depois de Marega) prova que há cada vez maior consciência social de que a violência, a xenofobia e o racismo no desporto são fenómenos atuais, inaceitáveis e que é preciso erradicar. A desinformação e o preconceito são terrenos férteis para a discriminação e esta realidade deve ser assumida e combatida com ações educacionais. A escola tem uma significativa capacidade de influenciar. Deve refletir sobre o respeito pela pluralidade humana, pela valorização das diferenças e das diversidades, assumir-se como comunidade acolhedora eficaz no combate a atitudes discriminatórias. Só assim contribuirá para a construção de uma sociedade integradora. Neste tempo, marcado pelas diferenças culturais, raciais, religiosas e linguísticas, o grande objetivo da educação é preparar os alunos para serem felizes numa sociedade plural e complexa, submetida a profundas, inevitáveis e rápidas mudanças. É fundamental educar para a tolerância, promovendo a inclusão, a diversidade e o intercâmbio cultural.

Frequentam o Agrupamento de escolas André Soares muitos alunos de diferentes nacionalidades, com maior concentração no Centro Escolar do Fujacal, a escola mais multicultural do Agrupamento, onde há mais de 50 crianças de diversos lugares do mundo. Cada uma representa um pedacinho desse mundo. E é esta troca de vivências que enriquece os alunos, que enriquece toda a comunidade. Na escola do Fujacal, tal como nas outras escolas, o mundo cabe todo dentro das suas paredes e não há combate mais nobre, não há compromisso mais humano do que erradicar a desigualdade das nossas escolas, das nossas comunidades, do nosso país e do nosso mundo!
Animados por esta grande vontade, renovada em prol da igualdade, da justiça e da dignidade humana, saudamos a memória de todas as vítimas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância em todo o mundo!...

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