Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Antecipar o futuro e as tecnologias que podem mudar as nossas vidas

Chegou o calor e com ele a inevitável vontade de emagrecer

Escreve quem sabe

2018-03-04 às 06h00

Manuel Barros


Realizou-se um encontro no Polo Zero, da Federação Académica do Porto, entre Eurodeputado Carlos Coelho e as Associações Académicas, no âmbito da apresentação de um estudo desenvolvido pelo grupo STOA (Science and Technology Options Assessment). Um documento de carácter prospetivo, com o título Antecipar o Futuro, que aborda matérias concretas e com um acentuado detalhe técnico sobre mais dez tecnologias que podem mudar as nossas vidas.
Uma jornada de reflexão e debate marcada por uma discussão aprofundada e esclarecida, e pela participação interessada de um número bastante representativo de dirigentes associativos. Uma iniciativa plena de oportunidade a avaliar pelos temas abordados, pela adesão e pela forma comprometida, com que este leque de representantes dos estudantes do ensino superior se envolveu, numa discussão franca e aberta, sobre a construção de um futuro compatível com as ambições das novas gerações, no que diz respeito à ciência e tecnologia.
Um futuro marcado pelo fosso geracional em todas as áreas de atividade, entre os que procuram emprego e os que estão integrados no mercado de trabalho, onde o emprego científico e o desenvolvimento tecnológico estão a assumir, uma particular relevância, tal como afirmou Norbert Bormman, no seu livro Dicionário do Futuro, que quanto maior é a velocidade a que o tempo corre, tanto mais difícil se torna imaginar claramente o futuro. Este nunca foi tão incerto como atualmente.
Nesta perspetiva, e tal como defendeu o presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Hugo Carvalho, é preciso trazer mais jovens para a ciência. Sendo, por esta razão louvável, a proatividade das instituições europeias, com a organização deste tipo de eventos por iniciativa dos eurodeputados. Pelo impacto positivo da divulgação deste tipo de estudos, que abordam os mais diversos temas que interessam aos líderes estudantis, como é o caso da ciência aplicada e a interação gradual entre estruturas de investigação, empresas e os cidadãos, no sentido de reforçar e promover a aproximação dos estudantes com a ciência e com a investigação.
O mundo da política terá que se conciliar com o mundo da ciência, para poder enfrentar com eficácia as consequências societárias da evolução das tecnologias, com o objetivo de ser criada uma verdadeira rede de ligação das novas gerações com estas duas realidades e aumentar o nível de conhecimento, sobre o que o que se faz na ciência O que traz esse conhecimento para as empresas, para sociedade e para a economia. Até onde é que vai, e qual a sua influência direta na sociedade, como desafio para quem decide e para quem produz a legislação.
Sendo necessário responder com eficácia, à revolução tecnológica, em ritmo acelerado. Uma mudança, que vai alterar radicalmente a forma como se vive na Europa e no resto do mundo, pelo que é fundamental antecipar o futuro e preparar, atempadamente, políticas públicas para o impacto desta nova realidade. O horizonte temporal das políticas, terão que deixar de funcionar de acordo com o cronómetro do tempo eleitoral, porque o novo conceito de futuro não se compadece com a visão imediatista e sazonal, de pensar os problemas e as respostas eficazes, a favor das necessidades reais das pessoas.
Neste contexto, a mudança e a inovação são palavras de ordem que se mantêm atuais, e o seu ritmo é cada vez mais acelerado. O tempo mudou. O espaço é o mesmo, mas os desafios são cada vez mais complexos. As tecnologias transformaram de forma radical a nossa comunicação, os movimentos sociais, a maneira de trabalhar e os hábitos de vida. As sociedades são mais eficientes, produzem mais, com menos recursos e com mais rapidez. A ciência evoluiu e aumentou a sua capacidade de inovação, e de acordo com este estudo, estas novas tecnologias estimularam a criação de novos mercados, novos produtos e serviços, com um impacto direto, e muito significativo no crescimento económico e na criação de emprego.
O futuro vai trazer formas mais inteligentes de usar a energia. Usar óculos com funcionalidades dos smartphones, ou vestir tecnologia com tecidos inteligentes, com capacidade para medir os nossos sinais vitais, e ter ecrãs em todos os objetos que conhecemos, e seremos conduzidos por carros autónomos pelas cidades. O grafeno processado a partir da grafite, mais resistente do que o aço, poderá ser usado para fazer ecrãs mais flexíveis, lentes de contacto de visão noturna, ou em processos de dessalinização da água, entre muitas outras tecnologias.
Neste sentido, é necessário criar condições para libertar o pleno potencial da investigação da ciência e da inovação, que deverá passar pelo ajustamento do ambiente organizacional e legal para gerar investimento nestas áreas, tendo em linha de conta as ameaças e desafios, que estas mudanças vão implicar nas nossas vidas. Um processo de desenvolvimento, que envolve um número crescente de áreas, em que a União Europeia já está a investir. Uma dinâmica que, na opinião do Eurodeputado Carlos coelho e do Comissário europeu para a investigação, ciência e Inovação, Carlos Moedas, exige a participação de políticos e cientistas, universidades e empresas, laboratórios e a sociedade civil, com especial destaque para as novas gerações.

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