Correio do Minho

Braga, terça-feira

Ano novo, vida velha

Ser de Confiança

Ideias Políticas

2017-01-10 às 06h00

Hugo Soares

Já se percebeu que a pantominice governativa vai continuar em 2017. Com uma agravante: o ano é de eleições autárquicas e o resvalar para o eleitoralismo desenfreado vai fazer com que a irresponsabilidade governativa aumente exponencialmente. Já está a acontecer neste momento, de resto, com as transferências de milhões para autarquias geridas por executivos socialistas. O timing do governo não engana, como se viu no Orçamento de Estado para 2017, que atirou para as vésperas das eleições o aumento das pensões e do subsídio de refeição ou a integração dos precários da função pública. O ano é novo mas a receita é velha.

Até 2019, o crescimento que o governo das esquerdas prevê para o País será sempre inferior ao conseguido em 2015 pelo governo PSD/CDS-PP. É muito ano perdido em nome de uma solução governativa que não é mais que um salvo-conduto de sobrevivência política para António Costa, levado nas palminhas pelo BE e PCP. E enquanto isso, voltam a acumular-se nuvens negras sobre as cabeças dos portugueses, por muito que os tentem ofuscar com amanhãs que cantam. A consolidação orçamental está a ser feita com base em expedientes vários.

À custa de cativações que se convertem em cortes definitivos, de medidas extraordinárias e irrepetíveis (os planos B que o governo diz não existirem) e numa queda nunca vista no investimento público. Para se ter uma ideia, o investimento recuou para níveis antes da adesão de Portugal à União Europeia, há 30 anos! E nem mesmo no período da troika, ele desceu tanto. Dados do INE, mostram que em 2015, o investimento crescia a 15% e nos primeiros três trimestres de 2016 caiu 13%.

É assim que o governo atinge a meta do défice: encostando o País às boxes. E mais do que isso, comprometendo a qualidade e a sustentabilidade do Estado social, que a esquerda tanto gosta de apropriar como seu. Foram-se as greves mas o depauperamento dos serviços públicos nas escolas, nos transportes, nos hospitais é galopante! A vozearia que seria se o governo fosse outro…. Os atrasos dos pagamentos do Estado aos fornecedores voltam à ordem do dia. Em 2016, só a dívida dos hospitais aumentou 27 milhões em cada mês!

A dívida pública portuguesa não para de crescer. As reformas estruturais esfumaram-se. Ministros falam levianamente da renegociação da dívida como se estivessem à mesa de um café. Apoiantes do governo querem a saída do euro. Não há uma estratégia de médio ou longo prazo para Portugal, apenas vistas curtas e muita verborreia.

À inoperância, imprudência e irresponsabilidade do governo e da maioria de esquerda junta-se a incerteza internacional. Os investidores já não nos olham da mesma forma. Os juros na semana passada ultrapassaram a barreira dos 4% a 10 anos (não foram só os nossos que subiram, mas compare-se o que nós pagamos com o que paga Espanha, por exemplo). O fim da ajuda do BCE está perto e ninguém sabe o que acontecerá depois, porque o governo não aproveitou as condições favoráveis nem acautelou o futuro do País, na sua cegueira das reversões. Fatores externos como o Brexit, a presidência de Trump, o rumo que a Europa pode tomar com as eleições na Alemanha e França, tudo isto acrescenta instabilidade e incerteza.

As perspetivas são as que são porque temos uma geringonça e não um verdadeiro governo. Aliás, a coisa parece-se cada vez mais uma espécie de Frankenstein, desconjuntada, a desintegrar-se a cada passo. Mas que não restem dúvidas: são eles quem tem a obrigação de governar até ao final da legislatura. Aconteça o que acontecer. Quem quis governar sem ganhar, tem que assumir a estabilidade política sob pena de não terem cara, sequer, para se voltarem a apresentar a eleições.
Não há desculpas.

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