Correio do Minho

Braga, sábado

- +

Ano Novo, Vida Nova

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2012-01-06 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Ano Novo, vida nova, diz o povo, na convicção de que o novo ano será melhor que o anterior. Depois da identificação dos pontos fracos, as pessoas tomam a decisão de melhorar.

Infelizmente, não é disto que se trata. Tudo indica que será pior que o anterior, que iremos ficar mais pobres, mais endividados e mais sem futuro. E quem quer ter futuro que emigre, dizem os governantes, acentuando que sempre foi assim, que os portugueses são por natureza emigrantes e que não estão lá senão para recoloca-los na sua melhor tradição.

Dizem-se estes governantes liberais, mas cada vez mais controlam a comunicação social. O seu liberalismo consiste em aumentar impostos e sujeitarem-se aos lobbies nacionais e interesses internacionais. Não há uma ideia, a indicação de um horizonte. As pessoas têm medo, e com razão, que o dia de amanhã seja pior.

Até há pouco tempo a culpa era do Eng. Sócrates. Esgotado este argumento, já que outros países, onde Sócrates não existiu, têm os mesmos problemas, passou a ser do Sócrates e da conjuntura internacional. Ultimamente diz-se que é de todos nós.

É um apelo á resignação e contrição que nem o Cardeal Patriarca usou na sua mensagem de Natal. Também o Presidente da Republica, uma figura esfíngica que paira sobre os acontecimentos, usou uma imagem semelhante apelando ao entendimento e á necessidade de fazer sacrifícios. Trata-se de um discurso mais piedoso do que o dos bispos portugueses. Está tudo invertido!

Para muitos economistas, cada vez mais a crise é o resultado normal do desenvolvimento do capitalismo, aquilo a que um economista famoso chama de destruição criativa. Esquecem-se de identificar os fatores da crise: a especulação financeira, a usura e irresponsabilidade dos bancos, os interesses da construção civil e do sector imobiliário e dos grandes grupos internacionais.

E, enquanto os cidadãos dos diversos países (mais dos pobres que dos ricos) foram sendo iludidos por um mundo de abundância de crédito fácil, onde tudo era possível, os políticos sorriam de contentamento. Também para eles era um mundo cor-de-rosa de ganhos de sucessivas eleições e de participação na abundância.

Talvez todos tenham culpa, mas a responsabilidade é sobretudo do sistema económico que permitiu isto e dos políticos que ajudaram a adormecer os cidadãos.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho