Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Ano Novo, novas leituras, mundo mais alargado

Winston Churchill: Nobel da Literatura

Voz às Bibliotecas

2018-12-27 às 06h00

Aida Alves

O povo, na sua sapiência, costuma atribuir ao acontecimento de passagem do Ano no calendário gregoriano, o desejo de um recomeço. O adágio “Ano novo, vida nova” resume o que é usual desejar-se na passagem do ano velho, a 31 de dezembro, para o ano novo, a 1 de Janeiro: a possibilidade de um recomeço.
De facto, é comum acumularmos, no decurso de um ano inteiro, insatisfações relativamente à nossa vida, nomeadamente prestações pessoais e profissionais, conquistas e aquisições. Devido à falta de tempo e também ao andamento do tempo que é cruel e não se detém, muitas das nossas realizações ficam “na gaveta” esperando melhores tempos e disposições para a sua efectivação. Por isso, precisamos de recomeços, precisamos de espaços bem delimitados no tempo, onde possamos respirar fundo, pensar e recomeçar. Recomeçar, tentando não cometer os erros que fomos cometendo ao longo da nossa vida anteriormente, pensar um pouco mais assisadamente nas nossas decisões e projetos e agir com energia e convicção. O que desejamos é, para além do que é material e físico, e que a sociedade materialista quase nos exige para viver, é, no fundo, sermos mais felizes. Sermos mais felizes com as nossas prestações, mais felizes com a nossa relação com o próximo, mais felizes com o que nós próprios somos. Resumindo, queremos ser pessoas “melhores” em todas as dimensões e acepções deste desejo.
Um bom começo, quando desejamos melhorar como seres humanos é sermos mais informados, mais conscientes do mundo que nos rodeia, mais atentos ao que se passa à nossa volta. E esta dimensão prolonga-se por todas as dimensões, ainda que as mais comezinhas: conseguiremos uma figura mais esbelta, se soubermos como funciona o nosso corpo e como reage às diferentes dietas e exercícios; conseguimos uma melhor relação com os outros quando realmente nos interessarmos por conhecer os outros de forma geral e particular, as suas reações, os seus anseios e expectativas; conseguimos ser melhores profissionalmente se formos mais informados na nossa área profissional e nos esforçarmos por adquirir e aplicar novos conhecimentos.
A chave é a informação, o conhecimento. Não “bebido” desregradamente, sem saborear, misturando “sabores” e conceitos, mas antes saboreado demoradamente, um sabor de cada vez, integrando uma nova paleta de conceitos no nosso ser.
O nosso conselho é, portanto, neste recomeço: abrace o conhecimento, alargue os seus horizontes, seja mais consciente de si próprio e do mundo, espelhe esse conhecimento em quem o rodeia. Visite uma biblioteca, compre um livro, ofereça um livro, leia um livro, saboreie e partilhe.
Só um livro nos permite “passear” demoradamente pelas alamedas do conhecimento, adquirindo profunda e lentamente novos conceitos. Podemos parar, recuar, avançar ao nosso ritmo. Num livro, quase nada nos é imposto: escolhemos a data, escolhemos o local, escolhemos o ritmo de leitura. É tudo fruição e prazer, saboreado ao ritmo e desejo de cada um. Outros meios de leitura imprimem-nos uma velocidade e ritmo muito próprios e, por vezes, somos empurrados, pelas ilhas de informação válida, como barcos arrastados por um corrente forte que nos faz singrar ou soçobrar. Um livro é mais um doce remar num lago de águas mansas, onde escolhemos o número de voltas que damos e quando o fazemos. Podemos também decidir descer os rápidos, só pela emoção da viagem, mas essa é sempre uma escolha nossa.
Por isso, recomendamos: nas suas decisões de ano novo, inclua sempre um livro, ou alguns livros ou muitos livros. Faça dessa decisão, uma das mais acertadas do ano que aí vem. E cumpra. Cumpra, lendo novas obras, tais como o livro Renascer, de Kamal Ravikant , onde se conta a história de “um homem que procura um sentido para a vida. E que só o encontra no Caminho de Santiago. Percorra a obra de Elizabeth Lesser, “Renascer das Cinzas: Como os tempos difíceis nos ajudam a crescer”, onde a autora “partilha histórias de pessoas comuns que renasceram das cinzas da doença, do divórcio, da perda de emprego ou de um ente querido - fizeram-nas mais fortes, mais sábias e mais em sintonia com o seu propósito na vida e na paixão. À medida que aprendemos também a libertar-nos e a desabrochar na pessoa que estamos destinados a ser, a autora faz-se valer das maiores tradições espirituais e psicológicas do mundo, para nos auxiliar”. Volte às leituras da Sagrada Escritura. Na Bíblia (Colossenses 3:9-11) consta o pensamento “Não mintam uns aos outros, visto que já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador”.

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