Correio do Minho

Braga, terça-feira

Ano Europeu do património Cultural A memória como fonte de respeito

Valorizar os professores

Ideias

2018-02-14 às 06h00

Anabela Guimarães

Serve este pequeno texto para relembrar que este ano se celebra pela primeira vez o Ano Europeu do Património Cultural. Os anos ou dias comemorativos são sempre de aproveitar para uma chamada de atenção e de envolvimento dos cidadãos em algo que reforce a memória colectiva ou individual e contribui simultâneamente para potencializar a identidade, a união, a solidariedade ou até a salvação ou preservação de algo que existe e possa estar em perigo.

A justificação da Comissão Europeia para esta iniciativa prende-se com a preocupação do diálogo intra e entre nações, promoção da coesão social e motivação dos cidadãos para os valores comuns europeus.
O património cultural está em todo o lado, é factor de coesão, de identidade e união entre os povos, ao mesmo tempo que é diferenciador e único nas suas mais diversas manifestações, quer materiais ou imateriais.
Pode parecer uma heresia, mas dizem que Deus está em todo o lado e dentro de nós, não é? Pois o património também está. Ele rodeia-nos nos monumentos, nas esculturas, na pintura, na música, nas artes expositivas e performativas, teatro, cinema, dança, na literatura, nas tradições, costumes, nos lugares, no saber-fazer transmitido de geração em geração, na genética, no colectivo, no individual, na interactividade e até na inteligência artificial que se vai construindo pouco a pouco. E não, não estamos a vulgarizar o conceito, porque assim como nem tudo o que se apresenta como arte o é, também acontece com o património. A história, o tempo e a memória se encarregarão de distinguir o trigo do joio, dado que só a intemporalidade pode demonstrar a verdadeira essência do que se apresenta como verdadeiro.

Daí a necessidade de aproveitar a oportunidade para desenvolver actividades que promovam esta iniciativa, sendo que é de louvar as já de 300 que o programa apresenta, que podem consultar na página oficial do programa.
Em Braga há pelo menos três divulgadas no programa oficial. Até fim de Fevereiro podem visitar uma exposição no Museu Pio XII, sob o título Vem conhecer o maior retratista do século XX - Galeria Henrique Medina, destinada a todos os públicos.

Ainda no Museu Pio XII, outra exposição com ateliers lúdicos e workshops, Um Museu, Uma História, também até ao final de Fevereiro, idem para todos os públicos.

E no Palácio do Raio, também uma exposição intitulada Ruralidade, de Carlos Teixeira, artista contemporâneo que tem levado as suas obras além-fronteiras, até ao final do presente mês.
Não integrada no programa oficial, mas fazendo alusão ao mesmo também na Clarabóia Agenda de Identidade e Cultura da Casa do Professor, no dia 23 de Fevereiro às 21h30, será divulgada o excelente projecto Museus pelo Mundo, numa tertúlia apresentada por Ana Ferreira e Júlia Silva, projecto que nasceu numa sala de aula de Museologia e que já corre o mundo e motiva centenas de pessoas a visitar museus e a enviar postais ilustrados dos mesmos para os mentores do projecto.

Esperamos com expectativa as iniciativas que se seguirão, pois o Património Cultural é a nossa âncora identitária e fonte de união, que não só a memória pode ajudar a salvar e a preservar, mas tem sem sombra de dúvida uma influência decisiva.

O Coordenador Nacional do Ano Europeu do Património Cultural é o Professor Guilherme d Oliveira Martins, que apela à memória como fonte de respeito, para estudar a história, conhecer as raízes, cuidar do que recebemos e respeitar e preservar a herança recebida dos nossos antepassados. Também Fernando Catroga afirma que a memória, tal como a historiografia, é uma das expressões da condição histórica do homem.
Porque está mais que demonstrado que nem a cultura nem civilização existem sem a memória.

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