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Andar a ler...

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Voz às Escolas

2010-04-19 às 06h00

Fausto Farinha Fausto Farinha

No próximo Sábado, dia 24 de Abril, a Equipa da Biblioteca Escolar da Escola Sá de Miranda, promove e organiza a II Marcha pela Leitura. Com este evento divulgam-se textos, livros, património, autores, músicos. Promove-se, também, um estilo de vida preocupado com a qualidade: caminhar, percorrer a cidade, ouvir poesia ou música, praticar ginástica ou capoeira, escutar e confraternizar. De tudo isto se faz o “andar a ler…”.

Tal como no ano transacto, a Marcha encontra-se com o ‘25 de Abril’, neste ano de véspera, por conveniência de datas, mas que tomamos como feliz coincidência… quanta Poesia tem Abril! E à estafada pergunta - que livro anda a ler? - nesta semana só poderíamos dizer: Liberdade. Deixemo-nos então perder por um poema, uma frase, uma canção ou uma simples nota de entre os livros e discos que, teimosamente, não saíam da estante e agora se amontoam, sem nexo, numa salutar desarrumação.

A realização deste evento só é possível porque a rede de parcerias funciona, desde a concepção e programação das actividades até à realização das actividades e, por isso, quando no próximo Sábado, pelas 9 horas, na escadaria da Escola ouvirmos um poema de Sá de Miranda e dermos início à Marcha, verificaremos com surpresa, que a adesão superou as nossas expectativas.

Não podemos deixar de recordar a iniciativa do gabinete do ministro da educação, Professor Marçal Grilo, que em 1996 criou o Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, numa estratégia de “mancha de óleo”, através de sucessivas candidaturas e com o devido acompanhamento da sua implementação, transformou “sítios inexistentes” em Centros de Recursos, dando centralidade à Biblioteca Escolar, transformando o seu quotidiano. Talvez não tanto como desejaríamos! Mas graças a uma política rara de continuidade de projectos, seguida pelos sucessivos ministros da educação, a Rede de Bibliotecas Escolares cobre, neste momento, a totalidade das escolas e, neste ano lectivo, passou a contar com a afectação de um professor bibliotecário a tempo inteiro, escolhido de entre os docentes com formação na área.

A afectação e mobilização de recursos humanos e materiais são absolutamente necessárias: conhecemos o nosso atraso no domínio dos hábitos de leitura, de produção e fruição cultural, em geral, e o esforço exigido para os superar. E se hoje se insiste reiteradamente na necessidade de desenvolvermos uma cultura tecnológica, esta não pode ser dissociada da literatura e da arte, como algumas vezes se pretende. Até por razões económicas: hoje as indústrias ligadas aos diferentes domínios da arte são em muitos países um forte contributo para as suas economias, atingindo, nalguns casos, valores superiores a 20%.

Andar…passar pela biblioteca, ler o jornal, folhear um livro, requisitar outro, ouvir um CD, levar um DVD, está ao alcance de um lance de escadas na nossa Escola e acessível a toda a comunidade. E o prazer de nos deleitarmos com a experiência da fruição artística e das palavras não se deixa traduzir: experimenta-se. Mas estes gestos, simples, não são fáceis: o quotidiano é sempre avassalador e conforma-nos; o sofá e a televisão anestesiam e até o clique na net nos pode adormecer.
Mas Abril não é, de modo algum, conformismo.

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