Correio do Minho

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Análise das Eleições Presidenciais

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2011-02-04 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Após quase duas semanas das eleições é altura de tecer algumas considerações.
Em primeiro lugar, demonstrou-se mais uma vez que as candidaturas a um segundo mandato são um passeio. A não ser que os incumbentes tenham cometido erros graves, por regra são reeleitos; e dada a textura dos poderes presidenciais, é quase impossível cometer erros.

Em segundo lugar, mais de metade dos eleitores não foi votar, sendo o vencedor eleito com apenas um quarto dos eleitores, o que traduz uma desconfiança e um afastamento dos cidadãos relativamente ao sistema político. Mesmo tratando-se da eleição do presidente, o qual não é um actor político decisivo no futuro do país, é sintomático da apatia. Apesar de tudo o presidente da República tem um valor simbólico importante.

Em terceiro lugar, o sistema partidário ficou completamente esfrangalhado. Na verdade, os partidos de direita não conseguiram mobilizar um quarto do eleitorado, já que uma parte dos eleitores habituais do partido socialista votaram em Cavaco Silva.

Bem avisado está o Dr. Passos Coelho que, na noite das eleições, procurou distanciar-se dos resultados, não se atrelando à vitória do Cavaco Silva. Para quem procura a maioria absoluta os resultados das presidenciais não são nada promissores.

Mas o partido que sai do processo eleitoral mais fragmentado é naturalmente partido socialista. Parte substancial do seu eleitorado não votou em Manuel Alegre; votou Cavaco Silva e Fernando Nobre. Como é que Sócrates vai agora reunir as hostes depois deste fracasso e no âmbito duma política de grande austeridade? Manifestamente não vai ser nada fácil.

E para terminar, apetece-me citar Eça de Queirós que numa crónica, escrita após o Ultimato Inglês e em plena crise económica dos finais do século XIX, escrevia o seguinte: “A situação é esta. Uma parte importante de nação perdeu totalmente a fé (com razão ou sem razão) no parlamentarismo e nas classes governamentais ou burocráticas que o encarnam”. E mais à frente.

“Que resta país? Resta que as nações têm vida dura e que o nosso Portugal tem a vida duríssima. E se os que estão no poder porfiam sempre em cometer a menor soma humanamente possível de erros e realizar a maior soma humanamente possível de acertos, muitos perigos podem ser esconjurados e a hora será adiada. O interesse de quem tem o poder está todo e unicamente em acertar” em Notas Contemporâneas.

Mas enquanto o governo se preocupa com a divida pública e a cobrança de impostos, como de resto sublinha Eça de Queirós, referindo-se aos governos de altura, foi noticiado hoje que os três primeiros bancos tiveram um lucro em 2010 de 100 milhões de euros. É obra em plena crise, ou não!...

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