Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Ambiente: racionalizar em tempos de crise

Greve

Ideias

2012-09-19 às 06h00

Pedro Machado

Tenho vindo sistematicamente a comentar que, cada vez mais, estamos numa conjuntura que conduz a uma maior escassez de recursos, de um lado, temos os recursos naturais que são limitados e, de outro, as necessidades humanas, que são ilimitadas.
Como os recursos são escassos, para o pleno desenvolvimento económico de um país, é condição fundamental a maximização da eficiência produtiva através da correcta alocação destes recursos para satisfazer as necessidades que, como referi, estão em constante evolução.
Contudo, exatamente por estes recursos serem escassos, devem ser racionalmente utilizados de modo a que não se esgotem rapidamente, o que prejudicaria a própria capacidade económica e também as condições de criação e preservação de Vida no planeta.

Assim, quando uma empresa adquire consciência preservacionista, e implementa o marketing verde e muda a sua postura face às questões ambientais, entende que qualquer ação desenvolvida hoje no sentido de preservar os recursos escassos, trará no futuro, além de benefícios à natureza e à sociedade, vantagens à própria organização.

Entre estas vantagens da preservação do Meio Ambiente posso apontar como primordial a poupança num custo enorme atualmente para as empresas que é o tratamento de resíduos. Ora, ao reduzir a produção de resíduos, bem como ao separar os resíduos que podem ser reciclados, poupar-se-á na fatura do tratamento de Resíduos Industriais Não Perigosos, cujo peso é considerável nas contas das empresas. Mas há também a redução dos custos de produção através da utilização de materiais e resíduos reciclados, a redu-ção de desperdícios, a redução dos custos com multas pelo desrespeito a algumas normas ambientais, o aumento da competitividade no mercado, permitindo inclusive, canalizar o montante economizado a longo prazo para investimentos noutras atividades.

Mas não basta que as empresas façam propaganda verde, o ideal é que as empresas adotem a comunicação de atitude, ou seja, divulguem o que realmente têm desenvolvido em prol do meio ambiente, e não apenas o que existe de belo na natureza para ser explorado, em mera campa-nha publicitária. Por exemplo, é comum vermos que muitas empresas associam suas marcas a imagens ecológicas como: matas, rios, pássaros, montanhas… sem nada contribuírem para a preservação destes ecossistemas. Essas empresas, não estão a realizar, de facto, o marketing ecológico, pois as suas ações restringem-se à mera propaganda.
Para diferenciar a propaganda do marketing verde, existe uma classificação de produtos baseada na proteção ambiental: a Eco-label. Aplica-se a produtos certificados com o Rótulo Eco-lógico da União Europeia.

Os produtos com esta etiqueta cumprem um conjunto de critérios ambientais muito rigorosos, definidos por regulamento da União Europeia, tais como a utilização de energia, produção e tratamento de resíduos, utilização de substâncias químicas perigosas, descargas de substâncias poluentes no meio aquático, entre outras.
A Eco-label faculta aos consumidores orientações e informações corretas, assentes em bases científicas auditadas e auditáveis.

Assim, para um determinado leque de consumidores, com preocupações ambientais e eco-lógicas, esses produtos são mais atrativos, o que os torna competitivos no mercado.
Esta aposta no Ambiente poderá ser um aspeto diferenciador relativamente à concorrência e deveria ser uma aposta dos nossos empresários em tempos de crise.
Fundamental é que os nossos empresários tenham a plena consciência que, nesta altura, poupar recursos que são escassez significa ganhos comparativos numa conjuntura cada vez mais competitiva.
Ajude-se, ajudando-se!

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